Simpósio Internacional sobre Geoeducações, Agroecologias e Biodiversidades – SIGAB

O SIGLA do SIMPOSIO será um espaço de discussão crítica sobre caminhos alternativos para o desenvolvimento da humanidade no século XXI com foco nas abordagens interdisciplinares da relação sociedade-natureza. O Encontro permitirá a troca de experiências, entre acadêmicos, agricultores familiares, técnicos, pesquisadores e representantes da sociedade organizada (instituições de ensino, pesquisa, extensão; ONGs; associações; cooperativas etc), de todas as regiões brasileiras e de Moçambique…

Referente a nomenclatura, nomeadamente, o uso dos termos no plural, deve-se ao respeito e valorização das diferentes formas de conhecimento, saberes, experiências, pela diversidade reflexiva da ciência, possibilitando uma sociedade justa, ou seja, reconhecemos que além da racionalidade ocidental moderna há também outros saberes e práticas.

O termo Geoeducações, no plural, demonstra que nosso entendimento está para além de uma estratégia conservacionista ou de um ramo da educação ambiental, mas como um aporte de decolonização epistêmica, valorizando a pluralidade de ações de povos originários e tradicionais.

Agroecologias, no plural, nos permite compreender que a Agroecologia avança como ciência, movimento e prática, e que ancorada no pensamento decolonial, contrapõe a concepção epistêmica do modelo  hegemônico do desenvolvimento colocando-se como a plataforma para a construção de caminhos alternativos de existência do homem na terra.

Biodiversidades nos direciona para o entendimento plural e transdisciplinar, onde, contribuições de diferentes áreas da Ciência e do Senso Comum, possibilitam indicar caminhos para a equidade ambiental.

O desenvolvimento de propostas que valorizem a preservação das áreas nativas, seus povos, o uso racional de suas espécies nativa e práticas de agricultura que incorporem as questões sociais, políticas, culturais, energéticas, ambientais e éticas, pode viabilizar o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar e de comunidades rurais, povos indígenas, quilombolas e tradicionais. de forma a incentivar o consumo de alimentos regionais.

Em virtude de vários fatores, dentre estes, mudanças no contexto socioambiental e econômico, muitas comunidades vêm abandonando o uso de espécies não tradicionais; entretanto a diversificação de novas fontes de renda a partir destas pode gerar desenvolvimento econômico e melhoria da qualidade de vida dos moradores respeitando a cultura local. Inclusive, o turismo culinário figura como uma oportunidade potencial de negócio, de forma a oferecer produtos com características peculiares e cardápios regionais que são atrativos turísticos e contribuem para a conservação da biodiversidade.

O debate sobre sustentabilidade tem colocado o campo da Agroecologia sob potencial de contribuição científica para o etnodesenvolvimento, amparado pelos objetivos de sustentabilidade social, ambiental e cultural que fundamenta a teoria agroecológica. Por outro lado, os saberes tradicionais e as práticas/usos da terra por parte dos povos indígenas, africanos e afrodescendentes constituem fontes de inspiração e acervo de conhecimentos, campo de diálogos produtivos, existentes e a serem fomentados. Neste sentido, o evento também se volta para as experiências desses coletivos, incorporando o debate, suas experiências e relações ligadas à temática.

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