Os Simpósios Temáticos (STs) estão organizados em 11 Salas Temáticas (A–K), para facilitar a escolha do(a) participante e fortalecer diálogos por afinidade conceitual.

Como escolher:

– Identifique a Sala Temática que mais dialoga com seu trabalho.

– Dentro da sala, selecione o ST cujo foco esteja mais alinhado a sua contribuição.

– Em caso de dúvida, a Comissão Organizadora poderá realocar a proposta para melhor aderência temática.

Importante:
Caso seu trabalho dialogue com o tema geral do evento, mas não se identifique plenamente com nenhuma das Salas Temáticas específicas, recomendamos a submissão para a Sala K — Simpósio Temático Integrador, coordenada pela Comissão Científica e Organizadora do V SEMLACult 2026.

SALA A — Epistemologias do Sul, Educação Decolonial e Territórios do Saber

Reúne propostas voltadas a epistemologias do Sul, pensamento decolonial e debates críticos sobre produção de conhecimento, educação e linguagem, incluindo interfaces com tecnologia e metodologias de pesquisa.

ST-A01 — PERSPECTIVA DECOLONIAL LATINO-AMERICANA DA EPISTEMOLOGIA QUALITATIVA DE FERNANDO GONZÁLEZ REY

Eixo(s): Eixo 1: Epistemologias do Sul e Pensamento Decolonial, Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: O objetivo do Simpósio é promover um espaço dialógico reflexivo em torno da Epistemologia Qualitativa de Fernando González Rey (1949-2019), evidenciando sua perspectiva decolonial no contexto latino-americano. A referida epistemologia, que foi desenvolvida como aporte à Teoria da Subjetividade, desenvolvida pelo mesmo autor, resgata o lugar do pesquisador como sujeito da pesquisa, evidencia a dimensão geradora de subjetividade de indivíduos e grupos sociais, bem como o valor da singularidade na ciência possibilitando e legitimando minorias sociais. A subjetividade – individual e social – possui marcadores fortemente colonizados, atuando de formas complexas no desenvolvimento dos indivíduos e grupos sociais, como defendido por Nelson Maldonado-Torres e Walter Mignolo. O silêncio epistemológico com que muitos conhecimentos são apresentados como válidos socialmente, podem revestir processos de dominação e exclusão social, pois não colocam em evidência o contexto e a autoria do que é considerado conhecimento válido, constituindo-se em dominação epistemológica. A Epistemologia Qualitativa foi desenvolvida por Fernando González Rey para constituir-se como referência à uma metodologia que abarcasse e consolidasse a subjetividade como um sistema complexo por meio de três princípios centrais: 1) Princípio dialógico: A Epistemologia Qualitativa compreende a pesquisa como um processo de comunicação dialógica e sociorrelacional, isso porque esse processo se dá pelas relações estabelecidas entre todos os envolvidos, principalmente pesquisador(a) e participantes da pesquisa. Isso implica compreensão do diálogo como uma via que busca entender a realidade dos grupos e indivíduos não pelo padrão estímulo-resposta de conversações unidirecionais e técnico-operacionais, mas pela construção relacional e protagônica dos envolvidos; 2) Princípio construtivo-interpretativo: A pesquisa por essa via, é compreendida como um processo de produção teórica, em que a preparação e fundamentação do pesquisador para articular e interpretar criativamente as ideias e informações que o campo pode lhe oferecer, é um caráter indispensável para a efetividade da produção das informações e constituição do campo de investigação. Nesse sentido, em relação ao pesquisador, é importante: (a) sua total imersão no campo de pesquisa; e (b) compreensão reflexiva e pessoal da Teoria da Subjetividade e da proposta epistemológico-metodológica desenhada para o estudo da subjetividade; 3) Princípio da singularidade: A singularidade possui grande valor epistemológico na produção de conhecimento, dentro de um modelo teórico que entenda o singular não como unicidade, mas que ao longo do processo de construções interpretativas das informações, possa caracterizar a capacidade explicativa ao que está sendo estudado. Assim, a singularidade humana é marcada pelo caráter simbólico-emocional nas produções de sentidos subjetivos de caráter dinâmico e permanente, pois é sempre passível de novas configurações, uma vez que tais sentidos são sempre produzidos na tensão eu-outro-outros e se organizam gerando configurações subjetivas que produzem novos caminhos de posicionamentos e atuação na realidade.

Coordenação: Dra. Maristela Rossato (Universidade de Brasília); Dra. Stela Martins Teles (Instituto Federal de Brasília)

ST-A02 — Inteligência Artificial, Tecnodiversidade e práticas decoloniais: epistemologias e diálogos possíveis

Eixo(s): Eixo 1: Epistemologias do Sul e Pensamento Decolonial, Eixo 2: Práticas Decoloniais e Transformação Social

Ementa: Este simpósio temático propõe um espaço crítico de reflexão sobre os diálogos possíveis entre a Inteligência Artificial e as epistemologias do Sul (Boaventura Santos, 2010), a partir de uma perspectiva decolonial (Quijano, 2000). Inspirados pelo conceito de tecnodiversidade de Yuk Hui (2024), e diante do avanço das tecnologias digitais e do uso massivo de algoritmos por plataformas e big techs, buscamos tensionar a colonialidade embutida nas infraestruturas, lógicas e epistemes que regem os sistemas de IA, refletindo sobre seus impactos éticos, sociais e culturais (Noble, 2018), em especial, nos territórios latino-americanos. Partimos do reconhecimento de que a IA, enquanto tecnologia construída sob lógicas ocidentais, capitalistas e hegemônicas (Silva, 2022), opera reproduzindo e, por vezes, aprofundando desigualdades históricas — incluindo racismos algorítmicos, epistemicídios digitais e processos de invisibilização de saberes e corpos dissidentes (Cusicanqui, 2010). Nesse contexto, o simpósio convida pesquisadoras(es), ativistas, artistas, educadoras(es) e demais interessadas(os) a compartilhar investigações, relatos de experiência e práticas que confrontem tais dinâmicas, propondo alternativas desde epistemologias negras, indígenas, feministas, afrodiaspóricas e outras formas de saber localizadas. Serão valorizadas contribuições que abordem os seguintes eixos: ética, regulação e a defesa da soberania digital em contextos periféricos; críticas ao extrativismo de dados, ao imperialismo digital e à formação de entidades tecnopolíticas híbridas; práticas pedagógicas decoloniais e poéticas artísticas como contra-dispositivos de poder; além de experiências de insurgência algorítmica, mídias comunitárias e tecnologias sociais. Interessa-nos, sobretudo, fomentar uma ecologia de saberes que desloque o debate sobre IA para além do tecnicismo, afirmando perspectivas pluriversais e compromissadas com a justiça cognitiva. Ao reunir vozes diversas do Sul Global, o simpósio busca contribuir para a construção de futuros digitais que, dialogando com Ailton Krenak (2019), sejam capazes de “adiar o fim do mundo”, enraizando-se na solidariedade epistêmica, na dignidade dos saberes e na transformação social. Propomos, assim, uma arena de debates que cruze crítica teórica com práticas decoloniais, promovendo diálogos entre universidades, coletivos, comunidades e territórios.

Coordenação: Dra. Talita Souza Magnolo (Universidade Federal de Juiz de Fora); Me. Alexandre Garbini De Nadal (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

ST-A03 — Descolonizar o saber: educação, linguagem e escritas de resistência no Sul Global

Eixo(s): Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: O presente simpósio propõe-se a constituir um espaço de convergência e diálogo entre pesquisadores, educadores, ativistas e estudantes comprometidos com a investigação e a prática da educação sob a perspectiva da decolonialidade. Seu objetivo central é problematizar as estruturas eurocêntricas que historicamente conformaram as instituições de ensino, os currículos e as matrizes de produção do saber, conforme apontado por autores fundamentais do pensamento decolonial. A fundamentação teórica ancora-se na crítica à colonialidade do saber, formulada por Aníbal Quijano, compreendida como um dispositivo histórico de hierarquização epistêmica responsável por exclusões, silenciamentos e assimetrias persistentes no campo educacional. Nesse quadro, dialoga-se com Walter Mignolo, cuja noção de diferença colonial evidencia como a modernidade europeia se constituiu a partir da negação sistemática de outras cosmologias, racionalidades e modos de existência. Essa reflexão articula-se às contribuições de Frantz Fanon, sobretudo no que diz respeito à análise dos efeitos do colonialismo sobre as subjetividades, os corpos e os processos de formação, evidenciando a dimensão pedagógica da violência colonial e a necessidade de uma descolonização política, cultural e epistêmica. Soma-se a esse horizonte crítico o pensamento de Aimé Césaire, cuja denúncia do colonialismo enquanto projeto civilizatório fundado na desumanização ilumina as relações entre dominação, linguagem e educação, afirmando a negritude como gesto de resistência simbólica. O simpósio busca deslocar as lógicas coloniais ainda operantes no campo educativo, valorizando as epistemologias do Sul Global e suas formas plurais de produção de conhecimento. Dialoga-se, nesse sentido, com Boaventura de Sousa Santos, em especial com sua proposta das Epistemologias do Sul e do pensamento pós-abissal, que convoca a superação das linhas radicais que separam os saberes legitimados daqueles historicamente desqualificados. O escopo do simpósio abrange desde as pedagogias populares, inspiradas em Paulo Freire, que colocam o diálogo, a práxis e a consciência crítica no centro do processo educativo, até práticas educacionais comunitárias e territoriais desenvolvidas em contextos indígenas e quilombolas. Nesse horizonte ampliado, o simpósio também se abre à discussão das escritas decoloniais em prosa contemporânea, compreendidas como espaços de elaboração estética, crítica histórica e disputa de narrativas. Pretende-se acolher trabalhos que contribuam para novas formas de ler e reconhecer essas produções, especialmente aquelas oriundas de contextos marcados pela experiência colonial e pós-colonial. Por fim, o simpósio aborda desafios institucionais da descolonização, como a revisão de currículos hegemônicos, a formação docente ainda marcada por referenciais eurocentrados e o papel das ações afirmativas como políticas de reparação histórica. Metodologicamente, incentivam-se relatos de experiência, pesquisas-ação e ensaios teórico-práticos que articulem teoria e prática decolonial. Promovendo diálogos críticos, plurais e comprometidos com justiça social educacional.

Coordenação: Dra. Simone Maria Bacellar Moreira (Universidade do Estado do Rio de Janeiro); Dr. Carlos Eduardo do Prado (Universidade Federal Rural de Pernambuco); Ma. Roberta Alves Silva Coimbra (Universidade do Estado do Rio de Janeiro); Ma. Alessandra Rodrigues de Moraes (Secretaria de Estado de Educaçao do Rio de Janeiro – SEEDUC)

ST-A04 — Educação do Campo, das Águas e das Florestas

Eixo(s): Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: Este Simpósio Temático propõe discutir práticas educativas, experiências formativas e perspectivas teórico-metodológicas situadas nos territórios do campo, das águas e das florestas, articulando-as às pedagogias decoloniais. Partimos do entendimento de que esses territórios produzem saberes, modos de vida e formas de resistência que tensionam a colonialidade presente nas políticas educacionais, nos currículos e nos modelos hegemônicos de formação. O simpósio busca reunir pesquisas e relatos que valorizem a interculturalidade, a Pedagogia da Alternância e as territorialidades como princípios estruturantes de processos educativos comprometidos com a justiça cognitiva, a autonomia dos sujeitos e o reconhecimento das epistemologias produzidas pelos povos e comunidades tradicionais. Ao promover diálogos interepistêmicos, pretendemos fortalecer debates que problematizam desigualdades históricas, afirmam a dignidade dos territórios e contribuem para a construção de práticas pedagógicas críticas, emancipatórias e alinhadas às lutas dos povos do campo, das águas e das florestas.

Coordenação: Dr. Rainei Rodrigues Jadejiski (Universidade Federal do Espírito Santo/Secretaria Estadual de Educação-ES); Me. Guilherme Alves Pereira (Secretaria Estadual de Educação-ES)

SALA B — Territórios de Cultura, Memória, Patrimônio e Saberes Ancestrais

Sala dedicada a territórios de cultura, memória social, patrimônio e saberes ancestrais, com atenção a políticas públicas, práticas comunitárias e disputas por reconhecimento cultural.

ST-B01 — Territórios de cultura: saberes ancestrais, políticas públicas e pedagogias comunitárias

Eixo(s): Eixo 2: Práticas Decoloniais e Transformação Social

Ementa: Esperamos acolher experiências que discutam os territórios de cultura como espaços vivos de produção de saberes, práticas políticas, memórias sociais e pedagogias comunitárias, compreendidos a partir de perspectivas decoloniais e das Epistemologias do Sul. Parte-se da compreensão de que os territórios são construções históricas, simbólicas, afetivas e políticas, atravessadas por disputas de sentido, resistência e reexistência.

O simpósio abre espaço para coletivos, movimentos sociais, comunidades tradicionais, povos originários, agentes culturais, pesquisadores/as e educadores/as que atuam na interface entre cultura, território, memória, educação popular e políticas públicas. Dialoga com práticas comunitárias que mobilizam saberes ancestrais, tecnologias sociais, economias solidárias, comunicação popular, agroecologia, sistemas tradicionais de cura e metodologias colaborativas.

Sem restringir seu escopo, o simpósio também acolhe reflexões relacionadas a políticas culturais contemporâneas, como o Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC) e a atuação dos agentes territoriais de cultura, entendidos como mediadores, articuladores de políticas públicas, produtores de redes colaborativas e guardiões de memórias sociais.

No campo teórico, estabelece diálogo com autores/as das Epistemologias do Sul, da decolonialidade, dos estudos da memória (Halbwachs) e das “memórias subterrâneas” de Pollak, compreendendo a memória como campo de disputa, resistência e produção de sentidos contra-hegemônicos. As contribuições podem incluir experiências empíricas, análises teóricas, metodologias participativas e estudos de caso ancorados nos territórios.

O objetivo central é ser um espaço de diálogos Sul-Sul sobre práticas culturais, educativas, políticas e comunitárias que reinventam, cotidianamente, formas de existir, produzir conhecimento e disputar direitos na América Latina contemporânea.

Coordenação: Dra. Renata de Almeida Oliveira (Afya Universidade UNIGRANRIO); Dra. Beatriz Brandão dos Santos (Afya Universidade UNIGRANRIO); Mestre de saberes tradicionais Carlos Alexandre de Oliveira (Centro Cultural Nação Mestiça)

ST-B02 — Memória, Raça e Produção de Saberes: Patrimônio Cultural e Narrativas decoloniais no Sul Global

Eixo(s): Eixo 1: Epistemologias do Sul e Pensamento Decolonial, Eixo 4: Culturas Latino-Americanas e Estudos Culturais Críticos, Eixo 7: Gênero, Raça e Interseccionalidades

Ementa: O simpósio temático propõe debater as articulações entre memória, raça e produção de saberes no patrimônio cultural material e imaterial, enfatizando perspectivas decoloniais e epistemologias do Sul. Busca compreender como comunidades racializadas, povos tradicionais e coletivos subalternizados mobilizam práticas, narrativas e expressões culturais para afirmar identidades, reivindicar direitos e elaborar formas próprias de existência diante de silenciamentos, apagamentos e expropriações. Parte-se da ideia de que a memória é um campo de disputa, onde hierarquias raciais e coloniais moldam o que é reconhecido como patrimônio, quem pode narrar e quais experiências são legitimadas. O ST acolhe reflexões sobre a patrimonialização de saberes e fazeres, sobretudo de comunidades negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas; sobre práticas corporais, expressões artísticas, saberes de cura, espiritualidade, territorialidade e práticas alimentares enquanto formas identitárias, políticas e de resistência. Interessa também analisar a atuação de mulheres, juventudes, coletivos culturais e movimentos sociais na construção de narrativas contra-hegemônicas e na produção de outras formas de memória e patrimônio que questionam modelos eurocêntricos, bem como discutir avanços nas políticas públicas de patrimônio cultural. Metodologicamente, acolhem-se pesquisas qualitativas, etnográficas, de história oral, análises de políticas culturais, estudos decoloniais e investigações sobre memória social, incluindo abordagens inter e transdisciplinares. São bem-vindos trabalhos que problematizem a relação entre Estado, instituições de memória e comunidades; que discutam usos sociais do patrimônio; ou que explorem processos de transmissão de saberes em contextos intergeracionais, superando a divisão entre material e imaterial. Espera-se promover diálogos horizontais que reafirmem o patrimônio como processo vivo, coletivo e atravessado por corpo, memória, raça, gênero e território.

Coordenação: Dr. Alan Dutra de Melo (Universidade Federal do Pampa – Campus Jaguarão-RS/PPG Ciências Humanas-UNIPAMPA/ PPG em Memória Social e Patrimônio Cultural Universidade Federal de Pelotas-RS); Me. Matheus Magalhães Costa (Universidade Federal de Pelotas – Instituto de Ciências Humanas / Pelotas/RS); Ma. Maria Alcina Luiz Alves (Universidade Federal de Pelotas – Instituto de Ciências Humanas / Pelotas/RS); Dra. Maria de Fátima Bento Ribeiro (Coordenadora de Pesquisa do CLAEC – Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura); Me. André Alves da Silva (Universidade Federal de Pelotas – Instituto de Ciências Humanas – Pelotas/RS)

SALA C — Migrações, Fronteiras e Integração Regional

Abriga simpósios sobre migrações, fronteiras e territorialidades, incluindo debates correlatos de geopolítica cultural, conflitos e integração regional na América Latina.

ST-C01 — Narrar a Existência-Resistência Migrante: Vozes Anticoloniais das Margens

Eixo(s): Eixo 5: Territórios, Fronteiras e Geopolíticas Culturais

Ementa: Considerando a dinâmica capitalista, que promove lógicas de exclusão nas fronteiras dos Estados-Nação e entre os migrantes, percebo que esses são marginalizados e vulnerabilizados (Di Cesare, 2019). Isso contribui para apagar a potência de suas histórias e vivências, e para a ausência de uma filosofia própria da migração desses sujeitos-protagonistas (Dussel, 2015). Assim, objetivo reunir neste ST, pesquisadores para discutir um movimento filosófico-anticolonial da migração que rejeite soluções simplistas e reducionistas, e reconheça as narrativas dos migrantes como ferramenta de existência-resistência e valorização de experiências (Fals Borda, 2015). Metodologicamente, penso que seriam providenciais propostas anticoloniais como, por exemplo, cartografias visuais, digitais, afetivas e discursivas, em sentido amplo, com o fito de compor e organizar as escritas de vida migrante (Rolnik, 2007). Assim, será possível construir uma ética migratória fundada na justiça, inclusão e respeito à pluralidade dessas narrativas-existências-resistências (Sousa Santos, 2002). Para tanto, algumas possibilidades epistemológicas orbitam: i. as bases históricas do colonialismo (Césaire, 2020); ii. a relação entre patriarcado e capitalismo; iii. os processos de exclusão e invisibilização de sujeitos em mobilidade; iv. a articulação da plataforma anticolonial e a práxis emancipatória (Losurdo, 2020); e, v. as implicações das noções de territorialidade, fronteiras e hospitalidade-amizade incondicional (Derrida, 2000; Di Cesare, 2020). Portanto, espero que coletivamente construamos, com os debates, uma abordagem ética e inclusiva, que reconheça as narrativas migrantes como centrais na construção de novos paradigmas (Sá, 2021; 2023). Por conseguinte, restará demonstrado que a questão migratória demanda um reposicionamento que transcende fronteiras ao integrar narrativas e histórias de vida de sujeitos migrantes em situação de vulnerabilização social na partida e na chegada (Walsh, 2023).

Coordenação: Dr. Rubens Lacerda de Sá (Universidade Federal de São Paulo); Ma. Rosemeire Rodrigues de Oliveira (Universidade Federal de São Paulo)

ST-C02 — Programa Escolas Interculturais e de Fronteira: reconstrução, perspectiva de sustentabilidade e demandas de pesquisa

Eixo(s): Eixo 5: Territórios, Fronteiras e Geopolíticas Culturais

Ementa: Esta proposta se vincula à proposição de uma política pública de educação intercultural. Seu objetivo é aprofundar o conhecimento sobre as práticas educativas para reconstrução do Programa Escolas Interculturais de Fronteira (PEIF), sob coordenação da Secretaria de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino do Ministério da Educação (SASE/MEC), no contexto das políticas de integração regional. Reconstitui-se o PEIF, iniciado em 2005, institucionalizado por meio da Portaria MEC nº 798/2012 e descontinuado em 2015. O escopo da proposta considera os processos empíricos e conceituais vivenciados por meio do diálogo com escolas, universidades e institutos federais nas cidades-gêmeas que: implementaram ações do PEIF; estão em conexão com grupos de pesquisa sobre interculturalidade; oferecem cursos técnicos binacionais; têm estudantes falantes de línguas adicionais em relação ao português; têm estudantes imigrantes, refugiados ou apátridas; estão implementando ações interculturais com escolas e comunidades situadas em país vizinho por meio, principalmente, do cruze, entendido como o intercâmbio para ações culturais, artísticas, esportivas, de turismo, lazer e outras. Como tornar consequente o diálogo estabelecido por meio do ciclo de reuniões técnicas vivenciado com foco nas 33 cidades gêmeas em termos de retomada Do PEif, sustentabilidade e demandas de pesquisa? Entre outubro e novembro de 2025 foram realizadas seis reuniões técnicas, comtemplando visitas in loco às escolas de Santana do Livramento (RS)/Rivera (Uruguai), Bonfim (RR)/Lethem (Guiana), Dionísio Cerqueira (SC)/Bernardo Irigoyen (Argentina); Guajará-Mirim/Guayaramerín (Bolívia) e Ponta Porã (MS)/Pedro Juan Caballero (Paraguai). Assim, têm-se três momentos principais: (1) visitas técnicas e observação participante, voltadas à escuta qualificada sobre como a temática das interculturalidades de fronteira se manifesta nos currículos e nas práticas escolares; (2) roda de conversa reflexiva, na qual os participantes compartilharam experiências acumuladas e desafios para a retomada do PEIF; (3) síntese colaborativa para sistematizar recomendações e encaminhamentos para a atualização da portaria do PEIF. De partida, as perspectivas teóricas- metodológicas consideram concepções de interculturalidade crítica de Catherine Walsh e de educação intercultural emancipatória proposta por Vera Candau, articulando-os à metodologia da pesquisa-ação como instrumento de escuta, análise e transformação coletiva das práticas educativas e institucionais. Consideram, ademais, as Escolas Interculturais de Fronteira como experiências de educação como vetor de integração regional, diversidade e convivência. Contam como resultados e aprendizados de uma investigação em desenvolvimento: a permanência e a ressignificação das ações do PEIF, mesmo após sua descontinuidade em 2015, por meio de práticas interculturais incorporadas ao currículo, destacando-se o ensino do espanhol, o intercâmbio cultural com escolas do país vizinho e o estudo da cultura local e regional como ferramentas de fortalecimento da identidade fronteiriça.

Coordenação: – Dra. Gesuína de Fátima Elias Leclerc (Ministério da Gestão e Inovação/MGI, cedida para o MEC); Ma. Luanda Taveira Fernandes (Universidad de Buenos Aires)

ST-C03 — Território, Fronteira e Memória: Perspectivas Decoloniais sobre Identidades e Conflitos na América Latina

Eixo(s): Eixo 5: Territórios, Fronteiras e Geopolíticas Culturais

Ementa: Os espaços contemporâneos, em seus panoramas políticos, sociais e culturais, se constituem a partir de métodos amparados na herança colonial que estruturam as relações de poder no Sul-Global. Nesse sentido, a concepção decolonial permite problematizar a tenacidade de padrões coloniais no presente, compreendendo como o poder político e econômico se sustenta através de símbolos, cultura e conhecimentos que influenciam a forma como as pessoas percebem o mundo, criam hierarquias e sentem-se parte de determinados grupos sociais. À vista disso, o território e os espaços de fronteira se projetam enquanto centro de análise por desvelarem as tensões e discursos entre o poder político hegemônico e os grupos de resistências locais, o que concebe identidades heterogêneas, se constituindo e reconstruindo de maneira contínua, no qual os sujeitos redefinem seus valores, hábitos e referências socioculturais em meio as transformações e permanências que compõem a sociedade. Desse modo, território, fronteira e identidade são conceitos interdependentes, articulando-se através da memória individual ou coletiva, que preserva e materializa as relações que concebem as práticas sociais, traduzindo as experiências dos sujeitos e dos grupos, permitindo uma compreensão dos métodos sociais, culturais, políticos e econômicos que estruturam e moldam a contemporaneidade. Assim, propõe-se discutir a América Latina quanto espaço de fronteira, cultural, simbólica e geográfica, considerando seus processos de ocupação, migração, conflito e resistência, destacando as identidades híbridas e as manifestações de pertencimento cultural-territorial, a partir da perspectiva decolonial, problematizando as narrativas oficiais, o apagamento de grupos originários e minorias, colonialidade do poder e o eurocentrismo, refletindo essas fronteiras, físicas e simbólicas, como influência direta e indireta das ações e memórias, realçando os cenários de resistência, manutenção, criação e ressignificação cultural local e regional, em um contexto Sul-Sul. Visto que o território não se resume a um lugar geográfico delimitado, mas um campo de construção de memória, identidade e conflito. Portanto, compreender a territorialidade exige considerar não só a definição legal dos limites, mas a experiência vivida pelas comunidades que neles habitam. O território é um espaço simbólico e socialmente construído, que não se resume às coordenadas geográficas estabelecidas pelo Estado, mas se constitui, sobretudo, pelas práticas cotidianas das populações que o habitam, que dão significado às paisagens, aos marcos e aos recursos naturais, sendo um ambiente de apropriação afetiva e política. Essa concepção de território permite entender as disputas territoriais não apenas como embates legais ou administrativos, mas como conflitos de sentido, onde diferentes sujeitos reivindicam o direito de dizer, de fato, qual o seu lugar no mundo. Por isso, os territórios são resultado de um processo histórico de classificação e dominação simbólica, nos quais os sujeitos e os grupos lutam pelo reconhecimento e preservação de suas memórias e tradições. Trata-se, portanto, de um lugar simbólico, onde se articulam identidades coletivas e se negociam formas legítimas de pertencimento. Enfim, o simpósio propõe uma discussão analítica e reflexiva dos conceitos de território, fronteira e memória, com articulação decolonial, evidenciando a identidade no espaço Sul-Sul, acentuando que estas são categorias indissociáveis, dado que exprimem perspectivas integrativas de uma sociedade.

Coordenação: Dra. Pâmela Pongan (Memorial de Francisco Beltrão – Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão); Dra. Daniele Faenello (Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão)

ST-C04 — Dinâmica Global: O Novo Mapa de Uso e Ocupação das Cidades Portuárias.

Eixo(s): Eixo 5: Territórios, Fronteiras e Geopolíticas Culturais

Ementa: As transformações econômicas, tecnológicas e organizacionais ocorridas nas últimas décadas intensificaram a intervenção do ser humano sobre o meio natural, redefinindo profundamente as dinâmicas socioespaciais e a organização do território. A ampliação das atividades produtivas, a circulação acelerada de mercadorias, capitais e informações, bem como a expansão das infraestruturas de transporte e logística, configuram um novo padrão de produção do espaço, no qual as cidades, especialmente as cidades portuárias, assumem papel estratégico na economia global. O processo de urbanização contemporâneo está diretamente associado à consolidação do capitalismo em escala mundial. A concentração populacional em centros urbanos resulta não apenas de fatores demográficos, mas, sobretudo, da centralidade econômica das cidades como nós das redes produtivas e logísticas. No contexto da Geografia Econômica, os portos configuram-se como infraestruturas fundamentais para a circulação do capital, articulando escalas locais, regionais e globais. Esses espaços concentram investimentos públicos e privados, promovem a valorização do solo urbano e reorientam os usos do território, frequentemente gerando conflitos socioespaciais e ambientais. A expansão e modernização das áreas portuárias impulsionam processos de reestruturação produtiva, redefinindo o mercado de trabalho, os fluxos migratórios e as formas de apropriação do espaço urbano. A inserção dos portos nas cadeias globais de valor intensifica a pressão sobre áreas centrais das cidades, favorecendo a especulação imobiliária, a segregação socioespacial e o deslocamento de populações tradicionais. Assim, a produção do espaço urbano-portuário expressa as contradições do desenvolvimento capitalista, no qual a lógica da competitividade e da eficiência logística frequentemente se sobrepõe às demandas sociais e ambientais. Sob a perspectiva do planejamento territorial, a Geografia Econômica permite analisar o papel do Estado e dos agentes econômicos na organização e no ordenamento do espaço. Políticas públicas, planos diretores e investimentos em infraestrutura atuam como instrumentos de regulação e, ao mesmo tempo, de reprodução das relações de poder que sustentam a dinâmica do capital. Nesse sentido, o espaço urbano-portuário pode ser compreendido como um produto social, resultante da interação entre fatores econômicos, políticos e institucionais, articulados às condições físico-naturais. A abordagem geohistórica contribui para compreender como os portos se consolidaram ao longo do tempo como territórios estratégicos, cujas funções econômicas e logísticas moldaram a formação socioespacial das cidades. O resgate histórico permite evidenciar continuidades e rupturas nos padrões de uso do solo, na organização das redes de transporte e na relação entre porto e cidade, destacando a permanência de desigualdades estruturais. Dessa forma, a análise das dinâmicas socioespaciais em áreas portuárias, a partir da Geografia Econômica, possibilita compreender os impactos da globalização sobre o território, a circulação e o trabalho. Ao integrar dimensões econômicas, sociais e ambientais, esse enfoque contribui para a formulação de estratégias de planejamento mais críticas e integradas, capazes de conciliar desenvolvimento econômico, justiça socioespacial e sustentabilidade nas cidades portuárias do Brasil e do mundo.

Coordenação: Dra. Marilú Angela Campagner (Universidade Federal do Pampa – Campus Jaguarão/RS); Ma. Mariza Cezira Campagner (Universidade Federal do Rio de Janeiro); Dr. José Messias Bastos (Universidade Federal de Santa Catarina); Dra. Ana Carolina da Cruz Lima (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

SALA D — Povos Indígenas, Educação Indígena e Epistemologias Próprias

Reúne propostas centradas em povos indígenas, suas lutas contemporâneas, mobilidades, cosmopolíticas, autonomia e modos próprios de produção de conhecimento.

ST-D01 — Povos Indígenas na Contemporaneidade: Participação, Lutas, Protagonismos e Reparações no Continente Latino-AmericanoPovos indígenas e políticas indigenistas no século XXI: caminhos de participação, autonomia e reparações históricas nas relações com a sociedade e o Estado

Eixo(s): Eixo 5: Territórios, Fronteiras e Geopolíticas Culturais

Ementa: O Simpósio Temático (ST) propõe-se a acolher e debater propostas que abordem a temática dos povos indígenas na contemporaneidade. Nosso objetivo é aprofundar a discussão sobre os eixos centrais que estruturam as lutas e as agendas políticas dos povos indígenas no continente latino-americano, com especial atenção aos temas que transitam entre fronteiras geográficas e étnicas. O debate sobre as autonomias tem conquistado espaço significativo nas discussões internas dos povos indígenas e nas suas relações com os Estados nacionais. Paralelamente, constata-se uma crescente ocupação dos espaços de poder e formulação de políticas indigenistas. O Brasil serve como exemplo notório, com a recente criação do Ministério dos Povos Indígenas, liderado por uma mulher indígena, e a presidência da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) também ocupada por liderança indígena. Ainda na perspectiva do protagonismo, os povos indígenas têm avançado na ocupação de espaços educacionais, sobretudo nas universidades, tanto em carreiras de graduação quanto de pós-graduação. Conforme a notável observação do antropólogo Gersem Baniwa, a Universidade representa a última fronteira a ser conquistada pelos povos indígenas. No contexto brasileiro, o lançamento da proposta de criação da Universidade Indígena, em outubro de 2025, reforça a compreensão de que a conquista da educação superior é um caminho sem volta. Saudamos a emergência de novas epistemologias! É imperativa a necessidade de reparações históricas diante das graves violações de direitos sofridas por esses povos, que se estendem para além dos períodos de governos ditatoriais na América Latina. Evidenciar essa pauta é, fundamentalmente, condenar o passado de violências e propor um cenário de justiça, reconciliação e não repetição. Contudo, esse percurso é complexo e exige atenção e empenho não apenas dos povos indígenas, mas de toda a sociedade, por meio do aprofundamento dos temas decoloniais e dos diálogos interculturais. As lutas territoriais persistem em um caminho tortuoso, herança direta do colonialismo, e apontam para um cenário desafiador. As garantias territoriais e a defesa das ecologias nos territórios apresentam-se, no século XXI, com a mesma intensidade de momentos históricos anteriores. Os avanços de atividades como mineração, extração de petróleo e gás, construção de hidrelétricas e rodovias, e a expansão da agropecuária não cessaram, apesar dos avanços nas garantias legais. É crucial que compreendamos essa aparente contradição. Observamos, por exemplo, que durante a COP 30 a temática indígena foi central, mas suas demandas efetivas ficaram distantes das proposições políticas prioritárias. Dessa forma, o ST almeja ser um espaço de intensas e profundas reflexões sobre o momento presente, acolhendo os diferentes temas que dialogam com lutas, protagonismos, defesa de direitos e ameaças. Serão bem-vindas propostas que abordem eixos temáticos como: educação, meio ambiente, questões territoriais, saúde, línguas, artes e outros. O recorte geográfico será o continente latino-americano, nominado de diferentes modos pelos povos indígenas.

Coordenação: Dr. Clovis Antonio Brighenti (Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA); Mestranda Welita Barbosa da Silva (UNILA – PPGEDU); Dr. Spensy Kmitta Pimentel (Universidade Federal do Sul da Bahia); Mestrando Pedro Sales (PPGHIS – UNILA)

ST-D02 — Confluências contracoloniais: diálogos interseccionais e povos de Abya Yala

Eixo(s): Eixo 1: Epistemologias do Sul e Pensamento Decolonial, Eixo 2: Práticas Decoloniais e Transformação Social, Eixo 7: Gênero, Raça e Interseccionalidades, Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: Este Simpósio Temático constitui-se como um território de diálogo crítico, transdisciplinar e implicado sobre experiências, saberes e práticas produzidas a partir de territórios existenciais situados em Abya Yala. Inspirado nos pensamentos decoloniais, contracoloniais e nas cosmopercepções das populações negra, indígena e de outros grupos historicamente subalternizados, o simpósio busca tensionar as matrizes coloniais do poder, do saber, do gênero, da religiosidade e do ser que ainda estruturam as relações sociais, educacionais e acadêmicas no Sul Global. Para além da análise das macroestruturas de opressão, enfatizamos a urgência de investigar as dimensões micropolíticas dos estudos da subjetividade, compreendendo como o Sistema-Mundo, os regimes coloniais e o capitalismo mundial integrado incidem sobre o inconsciente, capturando o desejo e modelando modos de existência serializados. Contudo, interessam-nos igualmente os processos de singularização e as linhas de fuga que inventam e possibilitam novas formas de vida. O escopo do ST abrange pesquisas que tomem as experiências vividas — corpos, territórios, memórias, espiritualidades e oralidades — como fontes legítimas de produção de conhecimento e de resistência. Privilegiamos abordagens atravessadas pela interseccionalidade de raça, classe, gênero e sexualidade, recusando a fragmentação das lutas e entendendo que estes marcadores operam de forma consubstancial na produção de subjetividades. Valorizamos metodologias situadas, participativas, feministas e guiadas pela corpo-política, como a cartografia, a pesquisa-intervenção e as escrevivências, que rompem com a suposta neutralidade científica e reafirmam a escrita e a pesquisa como atos políticos. A história das populações que sempre estiveram em movimento contracolonial precisa ser escrita por suas próprias mãos, a partir dos saberes dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, dos povos de terreiro e de tantas outras que resistiram e resistem ao modelo de morte colonial em Abya Yala. Aquilombar foi e é preciso. O ST, portanto, busca também as experiências gestadas nestas comunidades, a partir da matripotência, na luta diária para não ser mais um corpo estendido no chão pelas mãos do Estado. A partir de uma abordagem sentipensante, que articula razão, emoção e compromisso ético-político, ancoramo-nos no diálogo de saberes e na ecologia das práticas. Buscamos aproximar a universidade dos movimentos sociais, acolhendo trabalhos que discutam os impactos da violência necropolítica e do epistemicídio, bem como pesquisas que apontem caminhos para o Bem Viver, a autogestão, a justiça cognitiva, a justiça epistêmica e a reexistência coletiva diante dos processos de exclusão social.

Coordenação: – Dra. Walkyria Chagas da Silva Santos Guimarães (Universidade Federal da Bahia); Ma. Joselaine Raquel da Silva Pereira (Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE e Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA); Me. Waldenilson Teixeira Ramos (CRP-RJ)

ST-D03 — Mobilidades, identificações indígenas e cosmopolíticas andinas

Eixo(s): Eixo 1: Epistemologias do Sul e Pensamento Decolonial, Eixo 2: Práticas Decoloniais e Transformação Social, Eixo 3: Diálogos Sul-Sul e Cooperação Horizontal, Eixo 4: Culturas Latino-Americanas e Estudos Culturais Críticos

Ementa: Se bem, os debates sobre a América Latina ainda sejam relativamente escassos no Brasil, essa lacuna se torna ainda mais evidente quando se trata do território andino. Os povos dos Andes constituem referências fundamentais para refletir sobre distintas experiências de luta política, formas de organização social e projetos de plurinacionalidade, como demonstram inúmeros estudos regionais. Contudo, a vida andina não se limita a essas dimensões. Há outros aspectos centrais que estruturam o cotidiano dessas populações e que precisam ser considerados, como as expressões culturais e rituais indígenas originárias, as economias populares – cuja elaboração teórica emerge fortemente vinculada a esse território -, o protagonismo das mulheres nas relações políticas, sociais e espirituais, incluindo suas interações com os outros-que-humanos (De la Cadena, 2015), bem como as mobilidades transandinas e os processos migratórios para além da cordilheira. No âmbito do V Seminário Latino-Americano de Estudos em Cultura, este Simpósio Temático tem como objetivo reunir pesquisadoras e pesquisadores andinos e não andinos que desenvolvem estudos sobre povos de toda a região dos Andes, buscando promover diálogos compartilhados que contribuam tanto para o avanço das pesquisas quanto para a ampliação do interesse pela região andina no Brasil. A proposta é fomentar trocas interdisciplinares que evidenciem a complexidade social, cultural e política dos Andes, superando leituras parciais ou homogeneizadoras. Serão acolhidos trabalhos que dialoguem, prioritariamente, com as seguintes temáticas: processos de identificação indígena dentro e fora dos Andes; produções culturais e rituais indígenas; expressões das economias populares; protagonismo das mulheres em diferentes âmbitos da vida social; e práticas artísticas como performance, cinema, música e artes visuais. Ao incluir as economias populares como um eixo relevante, o simpósio busca tensionar análises subalternizantes sobre a região andina, frequentemente associadas a noções de informalidade e marginalidade, e propor leituras que reconheçam sua densidade histórica, social e política (Müller, 2022; Tassi et al., 2013). Nosso entendimento acerca dos processos de identificação indígena originária, das mobilidades e da feminização dos processos sociais enfatiza as formas de resistência, a ocupação de espaços, os vínculos comunitários, as relações festivas e rituais, assim como outras realidades frequentemente obviadas por discursos depreciativos dirigidos tanto às populações migrantes quanto aos povos andinos em seus territórios de origem.

Coordenação: Dra. Chryslen Mayra Barbosa Gonçalves (Universidade Federal de São Paulo); Ma. Cristina Branco (Museu da Imigração); Dra. Mariana Santos Teofilo (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

SALA E — Políticas Linguísticas, Multilingüismo e Acessibilidade

Sala para políticas linguísticas, multilinguismo e ensino de línguas, incluindo debates sobre identidades, justiça linguística e desafios do ensino em contextos interculturais e tecnológicos.

ST-E01 — A aula de Português para/com estrangeiros como território físico e simbólico de construção de identidades outras

Eixo(s): Eixo 5: Territórios, Fronteiras e Geopolíticas Culturais, Eixo 6: Línguas, Multilinguismo e Políticas Linguísticas

Ementa: Este simpósio objetiva acolher propostas de pesquisadores e professores-pesquisadores da área de Português como Língua Adicional (PLA) de diferentes realidades para que compartilhem suas pesquisas e experiências de ensino/aprendizagem como espaços de (des)(re)territorialização, entendidos como espaços físicos e simbólicos, por meio de práticas interculturais, que valorizem diferentes identidades e encontros identitários. Na contemporaneidade, observamos a existência de distintos contextos migratórios que originam variados processos diaspóricos, assim, o número de migrantes em constante crescimento tem cada vez mais exigido a promoção e manutenção de políticas públicas que promovam a participação desses grupos na vida social brasileira. Muitas vezes, os órgãos estatais não promovem ações públicas que incidam sobre essas comunidades, restando a variadas instituições cumprir esse papel que seria do Estado, tais como universidades, escolas, ONGs, igrejas, espaços coletivos. Um dos maiores e primeiros desafios dos migrantes é o aprendizado de português, uma vez que a língua é solicitada desde o primeiro momento em que os sujeitos chegam ao Brasil, configurando-se dessa forma como um possível espaço de reterritorialização, mas também como um possível espaço de exclusão, dependendo de como a questão é tratada (Anunciação, 2017). Nos alinhamos à perspectiva de linguagem de Bakhtin e do Círculo (BAKHTIN, 2015; VOLOCHINOV, 2017), que a definem como situada e contingente, partindo da interação. Assim, a subjetividade e a identidade vão se constituindo continuamente a partir das práticas interacionais, perpassadas por diferentes relações de poder (Hall, 2001; Silva, 2020). Recebemos propostas que tragam o tensionamento dessas questões – linguagem, identidade, território – através de pesquisas que abordem a questão do ensino de português como língua adicional em diferentes realidades e possibilidades, podendo ser as de sala de aula (no sentido mais tradicional), mas também outros projetos que se ocupem dessas questões.

Coordenação: Dra. Jeniffer Imaregna Alcantara de Albuquerque (Universidade Tecnológica Federal do Paraná); Dra. Fernanda Deach Chichorro Baldin (Universidade Tecnológica Federal do Paraná); Dra. Elisa Novaski Cordeiro (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

ST-E02 — Políticas linguísticas na América Latina: diversidades, identidades e resistências

Eixo(s): Eixo 6: Línguas, Multilinguismo e Políticas Linguísticas

Ementa: Este simpósio temático propõe reunir pesquisas e experiências que investigam as políticas linguísticas na América Latina a partir de uma perspectiva crítica, decolonial e situada nos contextos de diversidade sociolinguística do continente. Considerando a multiplicidade de línguas minoritarizadas: indígenas, afro-diaspóricas, crioulas, línguas de sinais e línguas de ampla circulação, buscamos discutir como tais repertórios se articulam às dinâmicas de poder, identidade, territorialidade e resistência. Partindo do entendimento de que as políticas linguísticas se referem, conforme Calvet (2008), a decisões sobre as relações da sociedade e das pessoas com as línguas, o simpósio contempla reflexões sobre multilinguismo, contatos linguísticos em zonas de fronteira, glotopolítica, revitalização de línguas minoritarizadas, ensino de línguas adicionais e estudos da tradução em perspectiva decolonial, destaca-se a importância de uma perspectiva crítica das políticas linguísticas (Pennycook, 2021; Ricento, 2005; Makoni; Severo, 2014) concebendo a linguagem como um campo de poder e ideologia, e as relações entre as línguas dominantes e as línguas e variedades marginalizadas. Importa discutir como os interesses de grupos no poder perpetuam desigualdades sociais e raciais, indo além do Estado para incluir práticas sociais, focando na justiça social, na diversidade linguística, nos direitos dos povos minoritarizados e nas ações de resistência em prol da democracia e da cidadania linguísticas. Consideramos central enfatizar grupos historicamente marginalizados nos debates linguísticos, como povos indígenas, comunidades afrodiaspóricas, populações fronteiriças e comunidades surdas latino-americanas. Destacamos interesse por trabalhos que abordem as línguas de sinais e as políticas linguísticas voltadas às comunidades surdas na América Latina, incluindo discussões sobre direitos linguísticos, processos de padronização e oficialização, práticas de tradução e interpretação, educação bilíngue, formação de profissionais, documentação linguística, linguística descritiva e comparativa e experiências de resistência e afirmação identitária. O simpósio recebe trabalhos teórico-analíticos, etnográficos, estudos de caso, relatos de experiência e abordagens interdisciplinares que dialoguem com o eixo “Línguas, Multilinguismo e Políticas Linguísticas”. Além disso, enfatizamos o compromisso com a acessibilidade e a valorização das línguas minoritarizadas, aceitando submissões e apresentações em línguas de sinais (Libras ou outras línguas de sinais latino-americanas), bem como em português e espanhol.

Coordenação: Dra. Gabriela Serenini Prado Santos Salgado (Universidade Federal de Lavras – UFLA); Dra. Carine Gurunga de Matos (Universidade da Integração da Lusofonia Afro Brasileira – UNILAB); Dr. Alexandre Cohn da Silveira (Universidade da Integração da Lusofonia Afro Brasileira – UNILAB)

ST-E03 — O ensino de línguas no contexto tecnológico: desafios e possibilidades

Eixo(s): Eixo 6: Línguas, Multilinguismo e Políticas Linguísticas

Ementa: O presente simpósio propõe a discussão acerca da realidade atual, no que concerne ao ensino de línguas, no contexto tecnológico, tendo em vista as transformações nas últimas décadas, no que se refere às práticas e pedagogias decoloniais. Com base no pensamento de teóricos como Moreno (2005), Mignolo (2009) e Souza Santos (2010), entre outros, pretendemos refletir sobre os desafios enfrentados para a efetiva realização de uma educação crítica e transformadora. Da mesma forma, buscamos vislumbrar as possibilidades, frente a todas as referidas mudanças, e considerando o importante papel político e transformador das línguas.

Coordenação: Dra. Ana Maria Martins Roeber (Instituto Federal Santa Catarina – IFSC); Dr. Paulo Fachin (Instituto Federal Santa Catarina – IFSC); Dra. Luiziane da Silva Rosa (IFSC)

SALA F — Gênero, Raça, Maternidades e Justiça Reprodutiva

Bloco para debates interseccionais (gênero, raça e classe), maternidades, antirracismo e outras dimensões de justiça social na América Latina contemporânea.

ST-F01 — Epistemologias do Sul e Maternidades Latino-Americanas: Autonomia, Território e Cuidado

Eixo(s): Eixo 7: Gênero, Raça e Interseccionalidades

Ementa: Este Simpósio Temático reúne pesquisas e experiências que analisam criticamente as maternidades latino-americanas a partir de epistemologias do Sul, práticas decoloniais e perspectivas interseccionais. Busca-se compreender como gênero, raça, classe, território, deficiência e neurodiversidade estruturam vivências da gestação, parto, puerpério e cuidado, evidenciando acolhimentos, tensões e formas de controle institucional dos corpos.

O simpósio promove debates sobre direitos reprodutivos, políticas públicas de saúde e impactos da colonialidade, destacando desigualdades que afetam especialmente mulheres negras, indígenas, migrantes, periféricas, mães neuroatípicas e mães de crianças com deficiência. Discute-se como práticas biomédicas hegemônicas reforçam a medicalização excessiva, tutela e deslegitimação da autonomia, articulando violências que se expressam na persistência do racismo obstétrico.

Também se aborda a dimensão jurídica, questionando a efetividade das legislações de proteção à maternidade e os limites das políticas públicas diante de lógicas coloniais e patriarcais que regulam reprodução, sexualidade e comportamentos maternos.

O simpósio valoriza ainda saberes tradicionais como tecnologias sociais de resistência. Parteiras, benzedeiras, raizeiras, curandeiras, doulas comunitárias e redes familiares constroem práticas que articulam ancestralidade, manejo corporal, uso de plantas e estratégias de proteção contra o racismo institucional, produzindo formas culturalmente sensíveis de cuidado.

Integrando história social, antropologia, saúde coletiva, sociologia, psicologia, serviço social, enfermagem, medicina e estudos jurídicos, o simpósio adota abordagens feministas, etnográficas, interseccionais e decoloniais. Deste modo, propõe-se um espaço de diálogo sul-sul comprometido com justiça reprodutiva, autonomia e bem-viver das maternidades latino-americanas.

Coordenação: Dra. Juliana Borges de Souza (CEDERJ/ UNIRIO); Ma. Luana de Paula Santos (AGEAD/UFMS); Ma. Fabiana Helena da Silva (UFRRJ); Ma. Luciana da Silva Teixeira (PPGD/UNIRIO)

ST-F02 — Decolonialidade e antirracismo na (re)escrita da História no tempo presente

Eixo(s): Eixo 7: Gênero, Raça e Interseccionalidades

Ementa: Neste simpósio buscaremos reflexões que estabeleçam pontes entre a decolonialidade combativa e os complexos processos de (re)escríta da História a partir da perspectiva dos chamados “condenados da terra”. Entendemos a decolonialidade combativa como um tipo de conjugação entre teoria/prática (práxis) que possibilita perceber/refletir/atuar para a incorporação de saberes negros, africanos e indígenas em espaços acadêmicos e culturais. Não apenas fixando-os como objetos, mas na qualidade de agentes ativos no processo de estruturação e democratização da produção e reprodução do conhecimento no âmbito das ciências humanas, e, em especial, na História. Na contramão dessa perspectiva uma parte expressiva da recepção do chamado giro decolonial na América Latina tem reproduzido uma lógica extrativista e neoliberal das epistemologias dos chamados “outros” do colonialismo e do racismo. Está logica transforma as teses decoloniais (assim como de outras teorias subversivas em relação ao cânone) em commodities retóricas que produzem a acumulação de ‘cheques simbólicos’ para uma parcela da intelectualidade acadêmica ou artística, mas sem resultar na integração concreta daqueles que deveriam ser o centro de práxis decolonial: as pessoas a quem foram negadas a sua humanidade seja por questões de classe, raça, gênero, religião e/ou sexualidade(s). Para além desse diagnóstico negativo, há mudanças quanto à entrada cada vez mais pujante destas pessoas no espaço acadêmico, questionando as bases curriculares e epistemológicas não só dos cursos de História, mas das ciências humanas como um todo. A História do Tempo Presente, nesse contexto, não pode estar alheia a estas transformações. O debate sobre passados (presentes) traumáticos, negacionismos e o caráter público da história devem ser pensados a partir de aportes que levem em conta os espectros da colonialidade que constituem o Tempo Presente. Para isto, é preciso pensar geopolíticas outras do conhecimento que confrontem o epistemicídio fundado em políticas do tempo histórico passadistas, ou seja, que entendem que há uma ruptura profunda entre os males de um passado distante e a experiência do presente vivido. Portanto, daremos foco a contribuições que façam a intersecção entre os diversos dilemas do tempo presente e este processo de (re)escrita da História com ênfase especial nas pessoas que sofrem diretamente os efeitos dos espectros da racialidade/colonialidade.

Coordenação: Dr. Marcello Felisberto Morais de Assunção (UFRGS); Dra. Claudia Mortari (UDESC); Dra. Tathiana Cassiano (UDESC)

ST-F03 — Leituras Críticas e Decoloniais de Discursos Midiáticos: Gênero e Raça na América Latina

Eixo(s): Eixo 7: Gênero, Raça e Interseccionalidades

Ementa: Este simpósio tem como objetivo reunir pesquisas que analisem criticamente os discursos midiáticos no contexto latino-americano, considerando seu papel central na produção de sentidos, na circulação de ideologias e na formação de imaginários sociais relacionados às representações de gênero, raça, classe, sexualidade e território. Em sociedades marcadas por heranças coloniais e profundas desigualdades estruturais, os textos midiáticos atuam de maneira decisiva tanto na legitimação quanto na contestação de hierarquias sociais, identidades normativas e regimes de poder. O escopo do simpósio abrange a análise de textos midiáticos em sentido amplo — escritos, orais e/ou visuais — compreendidos como práticas discursivas que não apenas refletem a realidade social, mas participam ativamente de sua construção. Conforme assinala Moita Lopes (2006), a profusão de discursos que atravessa o cotidiano contemporâneo influencia diretamente na constituição de conhecimentos, crenças, valores e formas de compreender o mundo e o outro. Nessa direção, a Análise Crítica do Discurso, tal como formulada por Fairclough (2016), oferece subsídios teórico-metodológicos para compreender como os discursos contribuem para a construção de identidades sociais e posições de sujeito, para a organização das relações sociais e para a produção de sistemas de conhecimento e crenças. As problemáticas centrais do simpósio concentram-se nos modos pelos quais as representações midiáticas de gênero operam de forma interseccional com raça, classe, sexualidade e território, ora naturalizando desigualdades e violências coloniais, ora produzindo fissuras que possibilitam práticas discursivas de resistência. A partir da compreensão das identidades de gênero como construtos sociais e discursivos, dialoga-se com Butler (2015), que problematiza os processos de performatização dessas identidades como naturais, apagando suas determinações históricas, políticas e culturais. Do ponto de vista teórico-metodológico, o simpósio articula a Análise Crítica do Discurso aos feminismos decoloniais e comunitários, aos estudos afro-latino-americanos, às epistemologias indígenas e às teorias da interseccionalidade. São especialmente bem-vindos trabalhos que investiguem representações de corpos dissidentes, identidades subalternizadas, masculinidades, maternidades e paternidades, bem como narrativas que evidenciem ou questionem violências coloniais de gênero e raça, como o feminicídio, o epistemicídio e outras formas de apagamento simbólico. Busca-se, assim, compreender a mídia como espaço de disputa discursiva, no qual se tensionam ideologias dominantes e emergem práticas contra-hegemônicas protagonizadas por mulheres negras, indígenas, campesinas e por sujeitos LGBTQIA+ na América Latina contemporânea.

Coordenação: Dr. Paulo Valente (Universidade estadual do Maranhão – UEMA); Dra. Carolina Parrini Ferreira (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC)

SALA G — Estéticas Decoloniais, Artes, Performatividades e Materialidades

Reúne propostas sobre artes, teatro, dramaturgia, corpo, design, estética, lúdico, performatividades, cultura visual e práticas artísticas de resistência, compreendidos como campos de disputa simbólica, política e cultural.

ST-G01 — Corpos, vestes e outras expressões artísticas: Perspectivas em estéticas decoloniais

Eixo(s): Eixo 2: Práticas Decoloniais e Transformação Social, Eixo 4: Culturas Latino-Americanas e Estudos Culturais Críticos

Ementa: Este simpósio busca diálogos inter e transdisciplinares em estudos sobre histórias da arte, práticas dos vestir e outras expressões artísticas em perspectivas estéticas decoloniais. Investigando assim, indumentárias indígenas, africanas, afro-diaspóricas, têxteis latinoamericanos e outras e manifestações, como; performáticas, audiovisuais e demais artefatos, que nutrem leituras decoloniais, tanto históricas como na produção de modas e artes contemporâneas. As manifestações estéticas são aqui compreendidas como movimentos de resistência e ato político: uma (re)existência político-estética e epistemológica. Ao tecer encontros entre artes, moda e demais materialidades contra-hegemônicas, o simpósio propõe investigações sobre criações materiais de outrora, patrimônio e formas contemporâneas em diálogo com consumo sistemático: dispositivos de insurgência, que reconfiguram cânones e identidades. Dessa forma, abordam-se poéticas do vestir, aparições corporais e artefatos que entrelaçam memórias, territórios transbordantes e contemporaneidades.

Coordenação: Dra. Ana Carolina Acom (Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE); Dra. Joana Bosak (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS); Dr. Paulo César Marques Holanda (Universidade Federal do Amazonas – UFAM)

ST-G02 — Design e Libertação: Práticas de Reexistência no Brasil e na América Latina

Eixo(s): Eixo 2: Práticas Decoloniais e Transformação Social

Ementa: Esta proposta surge da trajetória da Rede Design & Opressão, coletivo que reúne pesquisadoras e pesquisadores, docentes, estudantes e ativistas desde 2020 para construir uma prática de design crítica, popular, dialógica e participativa. Fundamentada em epistemologias latino-americanas e na pedagogia da libertação, a Rede DO entende o design como campo controverso moldado por relações de poder e pela possibilidade de resistência (SERPA et al., 2021; SERPA et al., 2022; VAN AMSTEL et al., 2021). Ao situar o design no campo ampliado da cultura, compreendemos que práticas projetuais não apenas materializam objetos, mas produzem sentidos, narrativas, modos de vida e disputas simbólicas, dialogando diretamente com os estudos culturais latino-americanos. Nessa perspectiva, o design pode constituir uma prática de liberdade, um processo político, educativo e tecnológico em que pessoas aprendem juntas e se esforçam coletivamente para transformar condições materiais e simbólicas da vida (SERPA et al., 2021; SERPA et al., 2022).

Compreendemos o processo de projeto como espaço de conscientização, conflito e transformação da realidade (MAZZAROTTO et al., 2023; SERPA et al., 2024). Essa perspectiva se enraíza em intelectuais da América Latina como Paulo Freire, Augusto Boal, Orlando Fals-Borda, Álvaro Vieira Pinto e Lélia Gonzalez, que, embora nem sempre reconhecidos no campo do design, contribuíram de modo significativo para seus fundamentos éticos e políticos.

Paulo Freire esteve presente nas origens e transformações do design participativo, influenciando diretamente a formulação dos projetos e conceitos iniciais (EHN, 1988; AMARAL et al., 2022; DESIGN & OPRESSÃO, 2021). Orlando Fals-Borda, com a pesquisa-ação participativa e o conceito de sentipensar, ampliou a compreensão sobre metodologias situadas (IBARRA, 2023). Augusto Boal, por meio do Teatro do Oprimido, propôs metodologias participativas baseadas na experimentação corporal e criação coletiva, inspirando abordagens performáticas no design (SAITO et al., 2022; VAN AMSTEL, 2019). Álvaro Vieira Pinto antecipou debates sobre autonomia e dependência da tecnologia, hoje centrais às práticas críticas e decoloniais em design (SAITO et al., 2024). Recentemente, pesquisadores também evidenciaram a relação de Lélia Gonzalez com o design social brasileiro (COSSIO; MARQUES, 2025) ao discutir identidade afro-americana e denunciar racismo e sexismo estruturais.

A partir de uma ética relacional (MAZZAROTTO et al., 2023) e da politização do design (SERPA, 2023), confrontamos práticas extrativistas que tratam comunidades como fontes de dados e defendemos projetos construídos com e a partir dos territórios, reconhecendo tecnologias sociais que emergem de experiências periféricas e populares (MAZZAROTTO, 2024; SERPA et al, 2024). Nessa perspectiva, fazer design é uma prática aprendida coletivamente como produção da cultura, capaz de disputar significados e afirmar modos de reexistência (SILVA, 2023; VAN AMSTEL; GONZATTO, 2022).

As autoras que propõem este simpósio integram também redes e articulações latino-americanas de pesquisa e ativismo em design, como Estudios Críticos de Diseño Latinoamericano (ECRID), a Red Latinoamericana de Diseño y Género ( ReLADyG) e a Diplomatura de Diseño Latinoamericano Decolonial e Inclusivo associada à Universidad Nacional de Rio Negro (UNRN), o que amplia o alcance do simpósio e favorece a mobilização de pesquisadoras, estudantes e ativistas de diferentes países da América Latina interessados em compor este espaço de diálogo Sul–Sul.

À luz desse referencial, o simpósio acolherá estudos, relatos e reflexões sobre: – práticas comunitárias de design em territórios periféricos, indígenas e campesinos; – tecnologias sociais e metodologias colaborativas; – design, luta política e movimentos sociais; – experiências de comunicação comunitária e arte enquanto práticas de resistência; – design popular e resistências projetuais.

Coordenação: Dra. BIBIANA OLIVEIRA SERPA (Universidade Federal do Rio de Janeiro e Rede Design e Opressão); Dra. PAMELA CORDEIRO MARQUES CORRÊA (ESDI/UERJ e Rede Design e Opressão); Dra. SÂMIA BATISTA E SILVA (Universidade Federal do Pará)

ST-G03 — Representações eróticas do corpo em diálogo com o Sul Global

Eixo(s): Eixo 7: Gênero, Raça e Interseccionalidades

Ementa: Esse Simpósio busca reunir pesquisas que adotam como foco de investigação discussões que abarcam o campo do corpo enquanto objeto cultural e discursivo, bem como questões acerca de corpos racializados, não-brancos, colocados no lugar do “Outro”, considerado diferente dos padrões branco-europeus. Além disso, nosso objetivo é também pensar as representações desses corpos pelas vias do erótico. Assim, o principal propósito é possibilitar o encontro dos diversos conhecimentos que perpassam as variadas representações artísticas e/ou literárias de corpos pertencentes ao Sul Global, tendo os elementos do erotismo enquanto fios condutores. Para tanto convidamos pesquisadoras/es que procuram compreender questões envolvendo corpos negros, indígenas, corpos queer e corpos que são atravessados pela noção de gênero de Judith Butler (2003). Outrossim, serão bem-vindas pesquisas que perpassam o campo do erótico enquanto o conceito de poder que nos fala Audre Lorde (2020), a partir da afirmação do erótico como um recurso instrínseco das mulheres, o qual lhes dá um conhecimento genuíno por meio do compartilhamento do gozo. Desse modo, compreendemos o erotismo enquanto um estado em que o corpo busca movimento, bem como a sensação de prazer e de gozo, por isso representa a noção de Eros como aquele que sempre está em busca do desejo. O erótico está, no campo da psicanálise, a partir da compreensão de pulsão de vida, o desejo que faz com que o corpo esteja dentro desse movimento que impulsiona para algo. Assim, o Simpósio propõe discussões sobre como corpos vistos como dissidentes, negros, indígenas, LGBTQIAPN+ foram retratados e como ainda são retratados por meio da Arte, tendo em vista as perspectivas sobre o erótico. Para tanto, serão aceitos trabalhos passíveis de comunicarem com questões como: O corpo político e biológico é um objeto social e discursivo que está vinculado à ordem do desejo, do significado e do poder (GROSZ, 2000); Corpos que transitam entre a margem e se tornam centros. Corpos não-brancos, negros, indígenas, de outras etnias pertencentes ao Sul Global, historicamente marcados pela raça e pela memória ancestral. Corpos Queer (LUGARINHO, 2001) Corpos interseccionais (AKOTIRENE, 2019) Corpos eróticos, corpos erotizados e eróticas do corpo Literatura, Artes visuais, Música, Dança, Cinema: o corpo que se escreve, que se movimenta, que se pinta, que se canta, que se conta. Corpos que, a partir da perspectiva de Escrevivência (EVARISTO, 2020), ao contarem suas próprias histórias, incomodam os brancos da Casa Grande. Corpos decoloniais que evocam cosmogonias do Sul Global e mobilizam itãs, encantarias, orixás, entidades, bruxas/os, poetas, griôs e contadores de histórias.

Ademais, pensar o corpo é refletir sobre as nuances que o atravessam — os desejos que o rondam, as performances que realiza, as histórias que carrega e os prazeres de gozar a vida. Portanto, ensejar trocas de conhecimento sobre corpo, raça, gênero e sexualidade pela via do erótico é criar contextos para que esses corpos não apenas lutem e sobrevivam, mas para que os indivíduos que os habitam possam viver o pleno exercício de se movimentarem livremente.

Coordenação: Dra. Luciana Borges (Universidade Federal de Catalão); Ma. Ana Cláudia Nascimento Theodoro (Universidade Federal de Catalão); Mestranda Amanda da Conceição Santiago (Universidade Federal de Catalão)

ST-G04 — Entre a (re)existência e a ambivalência: o teatro latino-americano e seu duplo

Eixo(s): Eixo 4: Culturas Latino-Americanas e Estudos Culturais Críticos

Ementa: A dramaturgia e o teatro latino-americanos configuram-se per si como territórios de resistência estética e política, nos quais a palavra cênica se converte em um gesto de (re)existência frente às violências coloniais e aos silenciamentos históricos. A partir da provocação artaudiana de O teatro e seu duplo (1938), este simpósio propõe uma leitura decolonial da ideia de “duplo” entendendo-a como um espaço de confronto entre o teatro eurocêntrico e as múltiplas teatralidades do Sul Global. O duplo como metáfora da tensão entre as epistemes coloniais e as formas insurgentes de criação que emergem dos corpos dissidentes, das memórias subalternas e das estéticas periféricas. Pretende-se reunir e divulgar pesquisas que investiguem dramaturgias latino-americanas contemporâneas e históricas e observar como estas elaboram modos de resistência e produção de pensamento crítico a partir da cena (em nível diegético e mimético). Interessa-nos tecer reflexões sobre o teatro como ato político e pedagógico, que não reproduz o logos ocidental, porém o tensiona e o desobedece. Articulando o teatro (telling + showing) e a dramaturgia (telling) com paradigmas decoloniais e pós-coloniais (Quijano, Mignolo, Dussel, Walsh, Lugones), bem como análises que explorem perspectivas feministas, interseccionais e interculturais da cena latino-americana, este simpósio busca examinar a performatividade (seja da palavra e/ou da representação) como campo de disputa simbólica, no qual o corpo, a voz e a memória se insurgem contra a colonialidade. Propomos reposicionar o próprio conceito de teatro como espaço de cura e descolonização. O “duplo” latino-americano que não replica o modelo europeu convencional e histórico da “peça bem-feita”, idealizada por Eugène Scribe (1825), mas o reconfigura segundo suas próprias cosmologias, enredos e temporalidades. O teatro no sentido de ação viva e poética que decoloniza o olhar e (re)inscreve a experiência latino-americana no centro do pensamento estético mundial.

Coordenação: Dr. Wagner Corsino Enedino (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS); Me. Johnny dos Santos Lima (Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD); Ma. Elisângela Cristiane Rozendo (Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD)

ST-G05 — O papel da Arte, do lúdico e da cultura na construção da cidadania democrática latino-americana: um debate sobre gênero, raça e classe

Eixo(s): Eixo 1: Epistemologias do Sul e Pensamento Decolonial, Eixo 4: Culturas Latino-Americanas e Estudos Culturais Críticos, Eixo 6: Línguas, Multilinguismo e Políticas Linguísticas, Eixo 7: Gênero, Raça e Interseccionalidades, Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: Considerando o tema do evento e sua ênfase nas epistemologias do Sul e nas práticas decoloniais, o simpósio proposto busca promover reflexões e diálogos sobre o papel das artes, da cultura e do lúdico como formas de investigação, produção de conhecimento e resistência de grupos historicamente subalternizados. Parte-se do entendimento de que expressões artísticas, culturais e pedagógicas constituem linguagens fundamentais para a afirmação de identidades, saberes, práticas, demandas e lutas históricas no Sul Global.

O simpósio propõe a construção de um espaço interdisciplinar que acolha produções e análises relacionadas à literatura, ao cinema, às artes visuais, à moda, ao teatro, aos jogos de tabuleiro e jogos eletrônicos, bem como a materiais, ferramentas e recursos didático-pedagógicos voltados à educação formal, à educação política e à educação popular. Essas expressões são compreendidas não apenas como produtos culturais, mas como formas de comunicação, denúncia, contestação e elaboração crítica da realidade social, política e cultural latino-americana e caribenha.

Nesse sentido, serão bem-vindos trabalhos acadêmicos e narrativas que dialoguem com escritas e produções afro-latino-americanas, com especial atenção às questões indígenas, às abordagens interseccionais de gênero e raça sob uma perspectiva afro-diaspórica, bem como a debates sobre migrações, colonialidade, território, espaço rural e urbano, violência, orientação sexual e identidades de gênero. A arte e a cultura, em suas múltiplas manifestações, são aqui entendidas como formas de refazimento da realidade, produção de memórias, construção de saberes e elaboração de narrativas contra-hegemônicas.

O simpósio organiza-se a partir de três eixos temáticos principais: (1) Línguas, multilinguismo e políticas linguísticas; (2) Culturas latino-americanas e estudos culturais críticos; e (3) Gênero, raça e interseccionalidades. Serão acolhidos trabalhos que, nos planos teórico, analítico e metodológico, mobilizem abordagens interdisciplinares, articulando análise literária e cultural, epistemologias do Sul, perspectivas decoloniais, estudos feministas e de gênero, antropologia e sociologia da cultura, educação e pedagogia, bem como reflexões sobre cultura política, direitos humanos, movimentos sociais e cidadania democrática.

Entre as problemáticas centrais a serem debatidas, destacam-se: os desafios contemporâneos da democracia liberal frente à retomada do conservadorismo, dos extremismos e à persistência da colonialidade sob a forma de recomposição do projeto neoliberal; as disputas em torno da cidadania e as fraturas sociais relacionadas a raça, gênero e território; e as formas pelas quais as produções culturais latino-americanas enfrentam processos de apagamento, silenciamento e epistemicídio, contribuindo para a construção de novos imaginários políticos de justiça, solidariedade e emancipação social.

Coordenação: Dra. Renata Peixoto de Oliveira (Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA); Dra. Angela Maria de Souza (Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA); Dra. Ana Paula de Araujo Lopez (Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA); Dra. Maria Aparecida Webber (Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA); Dra. Samira Abdel Jalil (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

SALA H — Literatura, Representação e Narrativas Latino-Americanas

Sala destinada a literaturas, poéticas e narrativas latino-americanas (incluindo escrevivências), com foco em representação, memória, identidade e resistência.

ST-H01 — Estéticas da resistência: debates sobre representação e representatividade na literatura latino-americana

Eixo(s): Eixo 4: Culturas Latino-Americanas e Estudos Culturais Críticos

Ementa: Durante quase três séculos de produção literária na América Latina, mulheres, negros e indígenas foram representados a partir da perspectiva da objetificação e da diferença. Uma vez que os projetos literários dos diferentes países latino-americanos tiveram como principal agente do discurso o homem branco letrado, produto de uma consciência cultural estreitamente vinculada às assimetrias da sociedade colonial e da masculinidade hegemônica, os demais agrupamentos sociais foram observados pela norma literária quase sempre como o outro, o estranho, o menor. No Brasil, nem mesmo a literatura abolicionista que marcou o ocaso do século XIX com o combate à escravização escapou dessa problemática. Para Cuti, em Literatura negro-brasileira (2010), as obras desse período evidenciam um segundo processo de coisificação, na medida em que negam ao africano e à sua descendência complexidade e humanidade. Nas primeiras décadas do século XX, a literatura latino-americana trouxe a dissidência para a cena literária, por meio da figuração dos marginalizados e dos proscritos. Romances como La raza de bronce (1919), do boliviano Alcides Arguedas, Huasipungo (1934), do equatoriano Jorge Icaza, e Jubiabá (1935), de Jorge Amado, expõem as existências fraturadas de mulheres, indígenas e negros, emparedadas pela controversa dinâmica econômica e social que dá sentido às desigualdades de gênero, de raça e de classe em países de passado colonial. O olhar miúdo para a fatura das obras, no entanto, mostra que, para além dos interesses políticos e literários dos autores, a configuração estética e psicológica das personagens apresenta lacunas no que tange à sua representação, evidenciando as contradições da moderna intelectualidade latino-americana. Na contramão dessas abordagens, autoras e autores contemporâneos investem na temática da alteridade ao aquilatar os enjeitados da História pelo filtro da autonomia e da espontaneidade. No livro Por uma crítica feminista – leituras transversais de escritoras brasileiras (2020), por exemplo, Eurídice Figueiredo observa que, na literatura brasileira contemporânea, o combate e a resistência ao flagelo do racismo, do machismo e da minorização, estetizados em forma literária, surgem como a principal linha de força que estrutura a produção de autoria feminina. No contexto latino-americano e caribenho, essa perspectiva pode ser vista em obras de Conceição Evaristo, Teresa Cárdenas, Eliana Alves Cruz, Pilar Quintana e Maryse Condé. Debates acerca da valorização das subjetividades também podem ser encontrados na literatura da mexicana Marisol Ceh Moo e do brasileiro Daniel Munduruku, cujas obras tratam dos desafios dos povos indígenas na luta contra o apagamento cultural em seus países. Portanto, partindo da problemática exposta pelo estabelecimento desse painel histórico e considerando que, segundo Paula Baltar, “a crítica à modernidade da perspectiva decolonial concebe que a emancipação – a libertação – só será possível uma vez que a subalternização de experiências e de epistemologias instituídas pela modernidade seja suplantada” (BALTAR, 2020, p. 38), o simpósio proposto objetiva abrigar trabalhos que discutam formas críticas de figuração da mulher, do negro e do indígena – bem como suas estratégias de resistência – na literatura latino-americana, a partir de abordagens teórico-metodológicas apoiadas em uma perspectiva dialética, multicultural, interseccional e decolonial.

Coordenação: Dr. Evandro Jose dos Santos Neto (Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR); Dra. Fidelainy Sousa Silva (Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR); Dra. Maristela Sanches Bizarro (Universidade Metodista de São Paulo); Dr. Pedro Dorneles da Silva Filho (Universidade Federal Fluminense – UFF)

ST-H02 — Corpo-território em poesia amefricana nas Américas e nas Áfricas

Eixo(s): Eixo 3: Diálogos Sul-Sul e Cooperação Horizontal

Ementa: O presente simpósio temático visa a reunir investigações a propor aproximações entre poesia amefricana contemporânea nas Américas e nas Áfricas, o que implica acolher, também, o que conceituamos como poesia negro-brasileira (Cuti, 2010); como poesia africana dos países de língua oficial portuguesa; como poesia amefricana nas Américas e no Caribe, a exemplo de Pizarro (2002); Glissant (2021); comunicações investigando temas contemporâneos e formas de pensar a negritude em espaços políticos e culturais; comunicações investigando produção feminina contemporânea (a exemplo de poesia negra do Slam Poetry e outros autores de movimentos); a perspectiva do corpo-território na poesia amefricana (González, 2020). Do ponto de vista metodológico, o simpósio propõe noções suleadoras de pensamento amefricano, como fio condutor às análises literárias: por exemplo, o corpo-território como categoria de análise (Zaragocin, Caretta, 2021; Torres-Armas, 2025), contando com uma variável: a anclaje territorial (o corpo como lugar de conhecimento, nas literaturas amefricanas); ou, outro exemplo, a noção de interculturalismo (Fidel Tubino) como uma proposta ético/politica de transformação e convivência intelectual, enquanto práticas de interculturalismo crítico na universidade (reparação epistemológica) e em sociedades latinoamericanas (reparação social e construção de cidadania). No exame de tais categorias, nos textos literários, se dá sua análise propriamente dita: por exemplo, certos tropos, certas figuras de linguagem; ou certos recursos morfológicos, ou certos recursos sintáticos presentes nos textos literários, que permitem discutir a anclaje de corpas(os) amefricanas(os): ao lugar; a construções identitárias reivindicadas no discurso; a modos pretos, amefricanos, de existir. Consideramos pertinentes as discussões em torno das epistemes de Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Oyèrónkẹ Oyěwùmí, Leda Maria Martins, Carla Akotirene, Grada Kilomba, Sylvia Wynter, Denise Ferreira da Silva, Ochy Curiel, Marta Viveros-Vigoya, Djamila Ribeiro, entre outras pensadoras amefricanas na atualidade. O presente simpósio visa a integrar o Eixo 3: Diálogos Sul-Sul e Cooperação Horizontal, abordando perspectivas da cooperação científica, política e cultural mediante estudo de redes intelectuais entre Améfricas (Brasil, América Latina e Caribe) e Áfricas, lidas como relações Sul-Sul.

Coordenação: Dra. Alcione Correa Alves (Universidade Federal do Piauí); Dra. Veronica Prudente Costa (Universidade Federal de Roraima); Mestra de saberes tradicionais Mónica Alejandra dos Santos Rodríguez (Nzinga Artesanías Étnicas); Dra. Rosidelma Pereira Fraga (Universidade Federal de Roraima)

ST-H03 — Literatura Negra de autoria feminina: o paradigma da liberdade e do bem viver

Eixo(s): Eixo 7: Gênero, Raça e Interseccionalidades

Ementa: No ensaio Cuirlombismo literário: Poesia Negra LGBTQI desorbitando o paradigma da dor, a poeta, ensaista, romancista e ativista tatiana nascimento aponta para o estabelecimento de um novo paradigma possível para a literatura de autoria negra no Brasil, paradigma esse não apenas construído a partir da revisão de experiências oriundas das poéticas negras profundas e ancestrais, para as quais as relações de gênero e afeto se delineariam de maneira decolonial, rompendo absolutamente com os limites coloniais apresentados para o afeto, o gozo e o existir de corpos negros. tatiana nascimento aponta para o campo da criação literária como produtora de emancipação para humanização, baseada em uma relação com a linguagem que possibilite a produção de reflexões consistentes sobre a diferença colonial, sobre a necessidade de práticas decoloniais que tornarão possível outra forma de pensar, de ensinar e de fazer arte, literatura. Em seu ensaio, tatiana nascimento aponta para sua geração com a possibilidade/necessidade de construção de um paradigma de poética negra brasileira não mais definido pela representação da resistência, da sobrevivência, imersos na dor, mas para uma poética de aquilombamento contemporâneo, que teria como principal motivo o devaneigro, que rompe com os estereótipos da dor e da violência e insere a criação literária negra no plano do livre criar. Assim, esse simpósio busca trabalhos resultado de pesquisa em andamento ou concluída, que identifiquem especialmente autoras negras contemporâneas que possam ser lidas como partidárias da nova poética negra do devaneigro, ensaiada por tatiana nascimento.

Coordenação: Dra. CINTIA CAMARGO VIANNA (UFU – Universidade Federal de Uberlândia); Dr. GEORGE LIMA DOS SANTOS (IFNMG – Campus Teófilo Otoni); Ma. MARIA CAROLINA RODRIGUES BASTOS DA SILVA (IFMT/CFS)

ST-H04 — Corpos que Contam História: Escrevivências Negras, Decolonialidade e Produção de Saberes na América Latina

Eixo(s): Eixo 7: Gênero, Raça e Interseccionalidades

Ementa: O Simpósio Temático “Corpos que Contam História: Escrevivências Negras, Decolonialidade e Produção de Saberes na América Latina” propõe um espaço de diálogo, reflexão crítica política e circulação de epistemologias produzidas por sujeitas (os) negras (os) nos diversos territórios latino-americanos. Inspirado no conceito de escrevivência, formulado pela a pesquisador e literata Conceição Evaristo, o simpósio compreende a escrita em suas dimensões acadêmicas, poéticas, testemunhais, orais e corporais como um ato de resistência, memória e reinvenção de mundos. Entendemos que as (os) corpas (os) negras (os) narram, ditam, registram e inscrevem saberes que, historicamente, foram silenciados pelas as máscaras da Anastácia e/ou deslegitimados pelos projetos coloniais, da colonialidade do poder e conhecimento. A proposta articula discussões que se fundamentam na interseccionalidade, sendo atravessadas pelos seguintes marcadores: corpo, território, gênero, raça, espiritualidade, ancestralidade, estética, cultura e política, reconhecendo que as experiências negras não são apenas um objeto de estudo, mas uma plataforma epistemológica própria, fundamental para compreender os processos sociais latino-americanos. Nesse sentido, o simpósio se orienta pelas Epistemologias do Sul e pelas práticas decoloniais tendo como bases o feminismo negro brasileiro, afrocaribenho e afro-americano, buscando deslocar referenciais eurocentrados, cisgêneros e heteronormativos que historicamente negaram, apagaram as vidas negras e suas produções ancestrais, intelectuais, artísticas-culturais e comunitárias. O simpósio acolherá pesquisas e relatos que discutam: – Escrevivências e narrativas negras como método de conhecimento; – Memórias, autobiografias, autoetnografias e histórias orais; – Corpo como arquivo, documento e território; – Colonialidade do ser, do saber e do viver; – Práticas de resistência e insurgência cultural; – Produção de saberes populares, comunitários e tradicionais; – Representações negras na literatura, artes, mídias e espaços educativos; – Religiosidades afro-diaspóricas, espiritualidades e seus saberes; – juventudes negras, participação política e criação de redes comunitárias; – racismo estrutural, violência e estratégias de sobrevivência e cura; – diálogos transnacionais entre experiências negras na América Latina. Mais do que um espaço de apresentação acadêmica, este simpósio se constitui como um território político-pedagógico, no qual vozes, corpos e memórias negras especialmente aquelas historicamente silenciadas pelas intersecções de raça, gênero, classe e sexualidade são reconhecidas como fundamentos legítimos da produção de conhecimento. Ancorado nas contribuições do feminismo negro brasileiro, afrocaribenho e afro-americano, acolheremos narrativas práticas e teóricas, investigações empíricas, expressões artístico-culturais, pesquisas em andamento e diálogos interdisciplinares que valorizem a pluralidade das experiências negras no Sul Global. Ao aproximar diferentes perspectivas, buscamos fortalecer redes de solidariedade intelectualidade afrolatinoamericano, promover a visibilidade de saberes produzidos por mulheres negras e outros sujeitos racializados e incentivar a construção de metodologias que emergem das vivências e dos corpos. Assim, este simpósio propõe-se a contribuir para uma produção acadêmica comprometida com a justiça epistemológica, a dignidade humana e a afirmação das múltiplas existências e saberes negros na América Latina. Assim, o simpósio acolhe trabalhos interdisciplinares que dialoguem com Literatura Negra, Feminismos Negros, Epistemologias do Sul, Crítica Pós-Colonial, Educação, Artes, Linguagens e História, valorizando metodologias sensíveis ao corpo, à experiência e à ancestralidade. O objetivo é fomentar um espaço de diálogo crítico, de troca e de afirmação de saberes que tensionam as estruturas hegemônicas e ampliam as possibilidades de pensar, narrar e escrever a partir do Sul Global.

Coordenação: Dra. Jacqueline da Silva Costa (UNILAB); Mestranda Sueide Menezes da Silva (UNILAB); Mestre de saberes tradicionais Luan Rodrigues do Nascimento (UNILAB)

SALA I — Gestão Cultural, Políticas Públicas e Cidadania

Sala voltada a gestão cultural, políticas públicas de cultura, cidadania e disputas sociopolíticas no campo cultural, incluindo conservadorismos e resistências.

ST-I01 — GESTÃO CULTURAL DESDE ABAIXO

Eixo(s): Eixo 2: Práticas Decoloniais e Transformação Social, Eixo 4: Culturas Latino-Americanas e Estudos Culturais Críticos

Ementa: O SIMPÓSIO GESTÃO CULTURAL DESDE ABAIXO tem como objetivo produzir conhecimentos para o campo da gestão cultural crítica a partir de experiências de organizações culturais que atuam na América Latina desenvolvendo atividades culturais, educacionais e/ou de comunicação vinculadas a um território específico. As Políticas de Base Comunitária em desenvolvimento na América Latina desde os anos 2000 permitiram que grupos e iniciativas culturais historicamente excluídos das políticas tivessem acesso aos recursos públicos, criando também oportunidades de intercâmbio e de articulação em rede entre eles. Essas políticas contribuíram para a visibilidade desse conjunto diverso de experiências culturais que sempre foram referências para as suas comunidades, não apenas por suas manifestações, linguagens e práticas culturais, mas também por suas metodologias de criação em grupo, suas estratégias para existir, seus modos de gestão. A despeito da heterogeneidade dessas experiências, quando se pensa em gestão ainda é comum que se recorra a padrões, técnicas, modelos e linguagens que vêm das empresas, de empreendimentos econômicos ou de uma lógica de gestão de projetos. Autores latinoamericanos, entre eles Victor Vich (2017), apontam para a inadequação de uma “visión tecnocrática centrada en el diseño de proyectos, los cuales desconocen los conflictos generados en la lucha por lo material y lo simbólico…”. Tal perspectiva redutora, imprime sentidos e lógicas alheias aos grupos, configurando processos de disciplinamento marcados pela colonialidade. […] ao enfatizar a parte administrativa e gerencialista da cultura, estabelece-se uma verticalidade que determina um processo de controle na tentativa de antecipar o que se busca realizar, não facilitando encontros entre as populações envolvidas. Assim, todas as relações, interações, interdependências e inter-relações são excluídas, abrindo espaço para assimetrias que levam ao caráter objetual das expressões culturais. Tudo se reduz a uma racionalidade orientada por fins… (BEZERRA; VILUTIS; YÁÑES CANAL, 2023, p. 28) Cabe refletir sobre o que perdemos quando a gestão cultural se concentra em alcançar “fins”. O que é invisibilizado quando se despolitiza a noção de gestão cultural? O que se apaga quando uma cultura organizacional é “reduzida aos princípios e a valores vindos da iniciativa privada, orientada pela racionalidade instrumental e pela competitividade”? (SIMÕES; BEZERRA, 2023, p. 110). A partir desses questionamentos, vislumbramos que a gestão cultural pode ser entendida como forma de ação política, promovendo a articulação entre cultura, democracia e cidadania. Pensar na gestão cultural como forma de ação política, como propõe o pesquisador peruano Víctor Vich (2014) significa entender que a gestão cultural não pode ser um processo meramente técnico, de planejamento de projetos, de entregas de produtos e de resultados. Reduzida a isso, a gestão cultural se tornaria puramente uma “administração do existente” (RANCIÈRE, 2005), formas que privilegiam resultados em vez de processos. Aberto a participação de pesquisadores/as e gestores/as culturais, o SIMPÓSIO GESTÃO CULTURAL DESDE ABAIXO pretende reunir pesquisas e relatos de experiências que contribuam para se imaginar modos de gestão cultural que favoreçam princípios e valores ético-políticos, participação, dialogicidade, horizontalidade nas relações de poder e diálogo com políticas públicas.

Coordenação: Dr. Luciano Simões de Souza (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB); Dra. Laura Bezerra (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia); Ma. Renata Nascimento Souza de Jesus (Universidade Federal da Bahia – UFBA)

ST-I02 — Conservadorismos em movimento no Caribe e na América Latina

Eixo(s): Eixo 3: Diálogos Sul-Sul e Cooperação Horizontal, Eixo 5: Territórios, Fronteiras e Geopolíticas Culturais, Eixo 7: Gênero, Raça e Interseccionalidades

Ementa: O crescimento dos movimentos conservadores exige do pensamento histórico-antropológico uma reflexão sobre como essa expansão global se articula com formas locais. É preciso entender como diferentes combinações morais e materiais criam ambientes favoráveis à adesão de valores conservadores. Mais que apontar novidades nessas encruzilhadas, interessa compreender como atores, instituições e trajetórias históricas especificas asseguram a persistência e adaptação destes movimentos. Trata-se também de compreender o lugar e a evolução dos chamados valores liberais democráticos nos percursos históricos particulares de cada contexto e como os conservadorismos se articulam em relação a eles. Assim, saindo de um entendimento tácito de que o conservadorismo está atrelado a um certo “passado”, é fundamental compreender as múltiplas configurações de seu presente, e quais futuros serão passíveis de retomada diante da radicalização de alguns movimentos conservadores. Este Simpósio Temático dá continuidade ao Grupo de Trabalho da XV RAM de 2025 “Conservadorismos em Movimento” e pretende abrigar trabalhos voltados a contextos latino-americanos e caribenhos em que as reconfigurações do conservadorismo se apresentem como parte do cotidiano dos contextos pesquisados e que permitam pensar esses movimentos para além de uma mera reprodução do que se observa no Atlântico Norte. Nos interessam também investigações que tratem da relação de coletivos afro-latino-americanos, com os antigos e atuais movimentos conservadores da América Latina, no sentido de pensarmos como essas combinações confrontam visões estabelecidas e generalizadas sobre esses grupos minoritários no campo da política. Assim, este simpósio propõe orientar as contribuições a partir de perguntas de investigação concretas, tais como: De que forma os atores conservadores reiterpretam os valores liberais democráticos em seus contextos nacionais? Quais estratégias os coletivos afro-latino-americanos empregam frente aos novos conservadorismos? Como as trajetórias históricas locais influenciam na configuração de alianças e tensões entre conservadorismos e outros setores sociais? Serão aceitos trabalhos em português e espanhol.

Coordenação: Dr. Victor Miguel Castillo de Macedo (Universidade Federal do Paraná); Me. João Alípio da Cunha (Universidade do Estado da Bahia – UNEB); Dr. Hector Guerra (Universidade Federal do Paraná)

SALA J — Formação de Professores, Linguagem e Educação Inclusiva

Reúne simpósios voltados a educação (básica, superior e outros contextos), formação docente e práticas pedagógicas, incluindo políticas educacionais, avaliação, tecnologias educacionais e abordagens decoloniais.

ST-J01 — Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais na Educação Básica: Caminhos para Formação em Direitos Humanos e Cidadania

Eixo(s): Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: Este simpósio temático propõe discutir e problematizar práticas, teorias e políticas educacionais sob a perspectiva das pedagogias decoloniais, com ênfase na educação básica e em sua função social de promoção dos direitos humanos e da cidadania. Parte-se da compreensão de que a escola, historicamente moldada por lógicas eurocêntricas e coloniais de saber e poder, necessita ser ressignificada como espaço de resistência, diálogo e transformação social. Assim, busca-se reunir pesquisas e experiências que contribuam para a construção de uma educação comprometida com a equidade, a diversidade e a justiça social. O simpósio acolhe trabalhos que discutam a decolonização do currículo, a valorização dos saberes locais, indígenas e afro-brasileiros, e as práticas pedagógicas interculturais que rompem com a hegemonia de uma racionalidade ocidental excludente. Também são relevantes reflexões sobre as políticas de ações afirmativas e sobre as estratégias de inclusão e representatividade de grupos historicamente marginalizados na escola, como povos originários, comunidades quilombolas, populações periféricas, pessoas com deficiência e grupos LGBTQIAPN+. Além disso, este espaço busca fomentar o debate sobre a Educação em Direitos Humanos como eixo estruturante de uma pedagogia emancipatória e cidadã, capaz de formar sujeitos críticos, autônomos e comprometidos com a dignidade humana e a justiça social. A perspectiva decolonial, nesse sentido, é entendida como uma possibilidade epistemológica e política de enfrentamento às desigualdades, de reconstrução das identidades silenciadas e de fortalecimento do compromisso ético da educação pública com a democracia e a pluralidade cultural. Ao articular educação, ensino e pedagogias decoloniais, este simpósio pretende promover um diálogo interdisciplinar entre pesquisadores, professores da educação básica, movimentos sociais e comunidades educativas, de modo a contribuir para a consolidação de práticas pedagógicas comprometidas com a transformação social e a construção de uma cidadania ativa, crítica e solidária.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 70. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022. QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005. WALSH, Catherine. Interculturalidade e decolonialidade do poder: um pensamento e posicionamento “outro” a partir da diferença colonial. Revista Educação e Sociedade, Campinas, v. 29, n. 104, p. 25–47, 2008. CANDAU, Vera Maria.: tensões e desafios. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 35, n. 1, p. 45–58, 2009. MIGNOLO, Walter D. A ideia de Educação em direitos humanos e diversidade cultural América Latina. São Paulo: UNESP, 2005.

Coordenação: Dr. Adilson Tadeu Basquerote (Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí); Dra. Morgana Scheller (Instituto Federal Catarinense – Campus Rio do Sul)

ST-J02 — Educação situada e práticas decoloniais: o território como produtor de conhecimento na América Latina

Eixo(s): Eixo 1: Epistemologias do Sul e Pensamento Decolonial, Eixo 5: Territórios, Fronteiras e Geopolíticas Culturais, Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: Este Simpósio Temático propõe um espaço de debate, reflexão crítica e compartilhamento de pesquisas e experiências que compreendem o território como produtor legítimo de conhecimento, articulando educação situada, epistemologias do Sul e práticas pedagógicas decoloniais na América Latina. Parte-se do reconhecimento de que os saberes construídos nos territórios, ou seja, nas escolas, comunidades, periferias, povos tradicionais, contextos urbanos e rurais. Historicamente foram subalternizados por matrizes epistemológicas eurocentradas, coloniais e universalizantes. Diante disso, objetiva-se reunir trabalhos que problematizem as relações entre educação, território e poder, evidenciando práticas educativas que emergem das realidades locais e dialogam com os contextos socioculturais, históricos e políticos latino-americanos. Busca-se tensionar concepções hegemônicas de conhecimento, currículo e pedagogia, valorizando experiências educativas que se fundamentam em saberes comunitários, interculturais, intergeracionais e contra-hegemônicos. Serão acolhidas pesquisas teóricas, empíricas e relatos de experiência que abordem, entre outros aspectos: educação popular; pedagogias decoloniais; formação docente situada; práticas educativas em territórios vulnerabilizados; saberes tradicionais e comunitários; articulações entre escola, território e movimentos sociais; políticas educacionais e disputas territoriais; e processos educativos comprometidos com justiça social, equidade e transformação social. Do ponto de vista teórico-metodológico, o simpósio dialoga com autores e autoras das Epistemologias do Sul, do pensamento decolonial, dos estudos culturais críticos e da educação crítica latino-americana, reconhecendo a pluralidade epistêmica e a legitimidade dos conhecimentos produzidos fora dos centros hegemônicos de saber. O simpósio se propõe, assim, como um espaço de diálogo horizontal Sul-Sul, valorizando vozes diversas e práticas educativas enraizadas nos territórios latino-americanos contemporâneos.

Coordenação: Dra. Rosa Elena Bueno (Universidade Federal do Paraná); Mestra de saberes tradicionais Diana Isis Bueno do Nascimento (Universidade Federal do Paraná); Mestra de saberes tradicionais Jenifer Cristina Bueno (Universidade Estadual de Ponta Grossa)

ST-J03 — Diálogos sobre o ensino de Ciências na problematização do currículo e práxis para a decolonialidade

Eixo(s): Eixo 1: Epistemologias do Sul e Pensamento Decolonial, Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: A proposta deste simpósio temático visa reunir pesquisas, experiências e reflexões que discutem a formação de professores em perspectiva decolonial, com ênfase nas epistemologias indígenas, nas pedagogias interculturais e nas metodologias indígenas, aplicadas à Educação em Ciências da Natureza.

O desafio central é confrontar a colonialidade do saber, que fragmenta o conhecimento e nega a agência dos sujeitos e dos seres não humanos. Neste contexto, buscamos propostas que usem saberes indígenas como fundamento ontológico para reestruturar a práxis pedagógica. A articulação da dialogicidade freireana com os saberes tradicionais visa ir além da contextualização superficial, promovendo um ensino que se define pela ética da coexistência, reciprocidade e responsabilidade socioambiental. O simpósio acolhe trabalhos que problematizam a hegemonia eurocêntrica no currículo e no ensino de Ciências, tensionando concepções de ciência, conhecimento e aprendizagem a partir de referenciais críticos como Paulo Freire, Catherine Walsh e autores indígenas. O interesse principal é discutir propostas formativas que compreendam o ensino como prática relacional, dialógica e situada, reconhecendo o conhecimento como inseparável do território, da cultura e das relações sociais. Serão bem-vindos estudos teóricos, pesquisas empíricas, relatos de experiências, ações de extensão e propostas de materiais didáticos que abordem: formação inicial e continuada de professores; educação escolar indígena; epistemologias do Sul; metodologias participativas e interculturais; interepistemicidade no ensino de Ciências; e práticas educativas comprometidas com a decolonização do conhecimento e da universidade.

Coordenação: Ma. Tatyane Caruso Fernandes (UTFPR e IFPR); Dr. Marcelo Lambach (UTFPR); Dra. Nancy Rosa Alba Niezwida (Universidad Nacional de Misiones)

ST-J04 — Educação Superior como Bem Público e Empregabilidade no Brasil e na América do Sul

Eixo(s): Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: Este estudo analisa a relação entre políticas de ações afirmativas no ensino superior brasileiro, a empregabilidade dos egressos e a mobilidade social resultante desse processo. A partir da revisão de um projeto de tese que propõe um estudo comparativo sobre o perfil socioeconômico e a trajetória profissional de estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) entre 2014 e 2024, o trabalho amplia a fundamentação teórica e atualiza o debate com dados e pesquisas recentes. O objetivo central é compreender se e como o acesso ampliado à universidade, promovido pelas ações afirmativas, se traduz em inserção profissional qualificada e mobilidade social efetiva. O grupo de trabalho parte do reconhecimento de que o ensino superior é um elemento estratégico para o desenvolvimento econômico e humano, especialmente em países marcados por desigualdades estruturais como o Brasil. Historicamente elitizado, o sistema universitário passou por mudanças significativas com a implementação da Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012), que ampliou o acesso de estudantes negros, indígenas, de baixa renda e oriundos de escolas públicas. Embora bem-sucedidas na democratização do acesso, essas políticas suscitam questionamentos sobre seus impactos para além da universidade, sobretudo no mercado de trabalho.A análise teórica articula três eixos principais: as ações afirmativas como instrumento de justiça social, a Teoria do Capital Humano e o conceito contemporâneo de empregabilidade. A Teoria do Capital Humano sustenta que a educação é um investimento que aumenta a produtividade e os rendimentos futuros, argumento corroborado por dados brasileiros que mostram um elevado prêmio salarial associado ao diploma universitário. Contudo, o artigo ressalta que, em um contexto de desigualdade estrutural, esse retorno não ocorre de forma automática ou equitativa, sendo necessário considerar fatores como raça, classe social e capital social. O conceito de empregabilidade é abordado de forma ampliada, indo além da simples obtenção de um emprego e incorporando competências, habilidades socioemocionais, capacidade de adaptação e gestão da carreira. Para egressos de ações afirmativas, enfrentam discriminação no mercado de trabalho, acesso a redes de contatos profissionais e a necessidade de conciliar trabalho e estudo durante a graduação. Metodologicamente, os trabalhos serão caracterizados como um ensaio teórico e uma revisão sistemática da literatura, complementada por dados secundários de fontes como IBGE, PNAD Contínua, Censo da Educação Superior e pesquisas de empregabilidade. Essa abordagem permite contextualizar o estudo de caso da UFRJ em um cenário mais amplo, identificando avanços, limites e lacunas na produção acadêmica. Os resultados indicam que as ações afirmativas tiveram êxito na diversificação do perfil discente e que o diploma de ensino superior continua sendo um fator decisivo para empregabilidade e salários, promovendo mobilidade social ascendente. Entretanto, persistem desafios relacionados à permanência estudantil, à qualidade da inserção profissional e às desigualdades no mercado de trabalho. Verifica-se que as ações afirmativas são fundamentais, mas insuficientes isoladamente, sendo necessário fortalecer políticas de permanência, estratégias de transição para o trabalho e o papel das universidades na promoção do sucesso acadêmico e profissional, visando uma mobilidade social ampla e sustentável.

Coordenação: Ma. Mariza Cezira Campagner (UFRJ); Dra. Marilú Angela Campagner (Unipampa campus Jaguarão/RS); Dra. Ana Carolina da Cruz Lima (UFRJ); Ma. Silvia Rozane de Souza Avila de Souza (Unipampa campus Jaguarão/RS); Dr. José Messias Bastos (UFSC)

ST-J05 — Educação no sistema penal

Eixo(s): Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: O presente trabalho aborda o trabalho com projeto de leitura no sistema penal. A Remição da pena pela leitura faz parte de um programa amparado pela Lei nº 17.329/12, implementado em algumas unidades penais no Estado do Paraná. Embora a legislação esteja prevista na Lei de Execução Penal (LEP) e consiste em uma resolução conjunta que envolve a Secretaria de Justiça (SEJUS), a Polícia Penal e a Secretaria de Educação do Paraná, segundo regulamentações do Conselho Nacional de Justiça/CNJ e do Superior Tribunal de Justiça/STJ. Embora a lei já esteja em vigor desde 2012, não é possível garantir a oferta a todos os apenados alfabetizados. Na prática, algumas unidades selecionam os participantes, considerando que já concluiu o Ensino Médio. Ainda assim, há uma demanda muito grande que impede a muitos o acesso ao programa. No estado do Paraná, algumas ações pedagógicas têm sido implementadas para sensibilizar os participantes a realizar a leitura dos livros literários. Dentre elas, cabe destaque o projeto especial de literatura, no qual algumas obras literárias são selecionadas para que os estudantes possam, a partir delas, expressar a criatividade e inventividade por meio de atividades culturais, que consistem em confecção de cartazes, pinturas em telas, criação de filmes de curta-metragem, apresentações teatrais, adaptação do livro para letras de músicas, dentre outras possibilidades artísticas para extravasar sentimentos e percepções a partir da literatura. Há também orientação para que possam diversificar os gêneros discursivos e literários, de forma a ampliar-lhes os horizontes de expectativas. A cada 30 dias, os internos são convocado a fazer uma resenha crítica sobre a obra literária, são realizadas as correções dessas resenhas e são inseridas no Sistema de Gestão da Penitenciária / SIGEP e são reduzidos quatro dias da pena. Com isso, espera-se contribuir para o letramento literário e a formação do leitor. Considera-se o uso de metodologias ativas por meio de recursos educacionais digitais possíveis de se adaptar para utilizar em espaços onde não há redes de internet. Essas ações complementam o tratamento penal, que intensifica a possibilidade de ressignificar os projetos de vidas, na medida em que as narrativas possibilitam fazer o deslocamento antropológico por meio do movimento empático de se colocar no lugar dos personagens e fortalecer o protagonismo autobiográfico que cada um tem para (re)escrever sua prórpria trajetória de vida individual, que se intertece com as interações interpessoais e produz ressonâncias na sociedade. Essas reflexões se fundamentam na perspectiva da bioecologia do desenvolvimento humano, proposta a partir dos postulados de Urie Bronfrenbrenner (2011), da perspectiva da teoria da complexidade sugerida por Edgar Morin quando debate sobre “Os sete saberes necessários à educação do futuro”(2001), e “A cabeça bem feita (2003), especialmente ao tratar da possibilidade de se reconfigurar o pensamento por meio de atividades transdisciplinares, que reitegrem os saberes e se interconectem com as realidades presentes nos ambientes nos quais interagem pessoas oriundas de contextos de extrema vulnerabilidade econômica e social.

Coordenação: Dra. Rosa Elena Bueno (Secretaria Estadual de Educação do Paraná); Mestra de saberes tradicionais Diana Isis Bueno do Nascimento (UFPR); Mestra de saberes tradicionais Jenifer Cristina Bueno (Universidade Estadual de Ponta Grossa)

ST-J06 — Perspectivas Decoloniais na Educação Latino-Americana: Politizar, Ensinar, Avaliar e Resistir

Eixo(s): Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: Este Simpósio Temático propõe a discussão crítica das políticas públicas de educação na América Latina, em especial diante do processo de padronização internacional do ensino, impulsionado por sistemas de avaliação em larga escala, como o Programme for International Student Assessment (PISA). Tais políticas têm orientado reformas educacionais em diversos países latino-americanos, estabelecendo metas e parâmetros que privilegiam a mensuração de desempenhos em áreas específicas, principalmente na Matemática e Português, e em detrimento das singularidades históricas, culturais, sociais e territoriais de cada contexto educacional. Ao adotar modelos avaliativos genéricos, essas políticas tendem a promover a mecanização do processo de ensino-aprendizagem e a reduzir a formação escolar à aquisição de competências mensuráveis, frequentemente afastadas de uma perspectiva crítica, emancipatória e socialmente comprometida. Países como Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Peru, República Dominicana e Uruguai, ao se tornarem signatários desses sistemas, passaram a reconfigurar seus currículos, práticas pedagógicas e políticas educacionais a partir de parâmetros globais, o que suscita importantes debates sobre colonialidade do saber, homogeneização curricular e apagamento de epistemologias locais. Em contraposição a esse cenário, o simpósio busca dar visibilidade a práticas educativas, experiências formativas e propostas de políticas públicas que se orientam por perspectivas críticas e decoloniais, valorizando a formação integral dos sujeitos, a contextualização do conhecimento e o reconhecimento das múltiplas realidades latino-americanas. Destacam-se iniciativas desenvolvidas por professoras(es) e estudantes de cursos de Licenciatura que, no Ensino Fundamental e Médio, constroem práticas pedagógicas comprometidas com a reflexão crítica, a justiça social e a democratização do conhecimento. Assim, o simpósio tem como objetivo reunir pesquisadoras(es), docentes da educação básica e do ensino superior e estudantes interessados em problematizar os impactos das políticas educacionais hegemônicas e em compartilhar pesquisas que apontem caminhos para o ensino e a formação docente na América Latina. As discussões estarão ancoradas nos pressupostos das pedagogias decoloniais, entendendo a educação como espaço de resistência, produção de sentidos e afirmação de saberes historicamente silenciados.

Coordenação: Dra. Alessandra Fontes Carvalho da Rocha (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ); Dr. Washington Kuklinski Pereira (Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro – SME-RJ)

ST-J07 — Educação e Transformação Social

Eixo(s): Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: Nas últimas décadas, as transformações econômicas, tecnológicas e organizacionais alteraram profundamente as relações entre educação, trabalho e carreira. Se, em períodos anteriores, o diploma universitário representava uma garantia de emprego estável e ascensão profissional, o cenário contemporâneo caracteriza-se por instabilidade, competitividade. Nesse contexto, o conceito de empregabilidade emerge como uma categoria central para compreender a inserção profissional dos egressos do ensino superior, deslocando o foco da obtenção de um emprego para a capacidade de construir e sustentar trajetórias profissionais. A empregabilidade pode ser compreendida como um conjunto articulado de competências, habilidades, conhecimentos e atributos que ampliam a capacidade do indivíduo de acessar, manter e progredir em ocupações qualificadas, bem como de responder às constantes mudanças do mercado de trabalho. Trata-se de um conceito dinâmico, que envolve não apenas a formação técnica e acadêmica, mas competências socioemocionais, capacidade de aprendizagem contínua, autonomia, comunicação, trabalho em equipe e resolução de problemas. Assim, o diploma universitário permanece relevante, para assegurar uma inserção profissional bem-sucedida. Nesse paradigma, a responsabilidade pela empregabilidade é compartilhada entre indivíduos, instituições de ensino e o próprio mercado de trabalho. Do ponto de vista individual, espera-se que o egresso adote uma postura ativa permanente, investindo na atualização de conhecimentos e na construção de uma trajetória profissional flexível — o chamado “aprender a aprender”. Por outro lado, as instituições de ensino superior são crescentemente desafiadas a ir além da transmissão de conteúdos teóricos, incorporando estratégias pedagógicas que favoreçam o desenvolvimento de competências transversais, a aproximação com o mundo do trabalho e o apoio à transição universidade–mercado. Para os egressos beneficiários de políticas de ações afirmativas, os desafios associados à empregabilidade tendem a ser complexos. Além das dificuldades enfrentadas por recém-formados, esses sujeitos frequentemente lidam com desigualdades estruturais que antecedem o ingresso na universidade, como formação básica precária, restrições econômicas e menor acesso a redes de contatos profissionais. A necessidade de conciliar trabalho remunerado e estudos durante a graduação pode limitar a participação em estágios, projetos de pesquisa, extensão e outras atividades extracurriculares que enriquecem o currículo e ampliam o capital social. Além disso, práticas de discriminação racial e social persistem no mercado de trabalho, afetando as oportunidades de inserção e progressão profissional mesmo entre indivíduos com níveis semelhantes de escolaridade. Nesse sentido, a análise da empregabilidade dos egressos de ações afirmativas não pode restringir-se a indicadores quantitativos, como taxas de ocupação ou renda.

Coordenação: Dra. Marilú Angela Campagner (Unipampa campus Jaguarão/RS); Ma. Mariza Cezira Campagner (UFRJ); Dra. Ana Carolina da Cruz Lima (UFRJ); Dr. Jose Messias Bastos (UFSC); Ma. Silvia Rozane de Souza Avila de Souza (Unipampa campus Jaguarão/RS)

ST-J08 — PROFISSIONALIZAÇÃO DOCENTE: A GAMIFICAÇÃO NO ENSINO DE MATEMÁTICA POR MEIO DOS RECURSOS DIGITAIS

Eixo(s): Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: Ensinar matemática na educação básica configura-se como um desafio persistente para professores e estudantes, especialmente diante das dificuldades historicamente associadas à aprendizagem dessa disciplina. No contexto contemporâneo, marcado pela presença de estudantes considerados “nativos digitais”, observa-se uma maior familiaridade com recursos tecnológicos e multimodais, o que abre possibilidades para a ressignificação das práticas pedagógicas. Nesse cenário, a gamificação, aliada às Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), apresenta-se como uma estratégia potente para tornar o ensino de matemática mais significativo, atrativo e contextualizado à realidade dos alunos. As políticas educacionais brasileiras, em especial na rede pública do Estado do Paraná, têm investido na profissionalização docente por meio de programas de formação continuada que incentivam o uso de plataformas digitais e metodologias ativas. A pandemia da COVID-19 intensificou esse movimento, acelerando a incorporação das tecnologias no cotidiano escolar e exigindo dos professores novas competências pedagógicas. Iniciativas como a Gratificação de Tecnologia em Educação (GTE) e o programa Formadores em Ação evidenciam esforços institucionais para qualificar o trabalho docente, promovendo aulas síncronas e assíncronas em ambientes virtuais de aprendizagem. A experiência docente revela que atividades gamificadas favorecem o engajamento, a motivação e a aprendizagem dos estudantes, sobretudo quando os conteúdos matemáticos são associados a situações do cotidiano. Plataformas como Khan Academy, Matific, Kahoot e Wordwall utilizam recursos visuais, auditivos e interativos que potencializam a compreensão conceitual, estimulam a autonomia e promovem sentimentos de autorrealização entre alunos e professores. A gamificação, compreendida como uma abordagem multimodal, contribui para o desenvolvimento cognitivo ao integrar desafios, feedbacks, ludicidade e interação social. Diante disso, o presente pré-projeto tem como objetivo investigar a perspectiva de professores de matemática sobre a aplicabilidade prática das metodologias ativas e da gamificação, em consonância com os conteúdos abordados em cursos de profissionalização docente. A pesquisa, caracterizada como um estudo de caso, adotará uma abordagem qualitativa e quantitativa, envolvendo a participação de dez professores que atuaram na educação básica nos últimos quatro anos e realizaram formações continuadas com foco nas TDIC. A coleta de dados ocorrerá por meio de questionário semiestruturado, contemplando aspectos sociodemográficos, condições de trabalho, infraestrutura escolar e percepções sobre limites e possibilidades do uso da gamificação no ensino de matemática. O referencial teórico fundamenta-se em autores como Orlandi, Duque e Mori, que discutem a gamificação como abordagem multimodal; Morin, ao tratar do pensamento complexo; e estudiosos da neuroeducação e da afetividade, como Wallon e Tapia, que ressaltam a importância das emoções e do lúdico no processo de aprendizagem. Assim, o estudo busca contribuir para a reflexão sobre a formação continuada de professores, destacando a necessidade de integrar teoria e prática, fortalecer a profissionalização docente e promover práticas pedagógicas inovadoras que qualifiquem o ensino de matemática na educação básica.

Coordenação: Mestra de saberes tradicionais Jenifer Cristina Bueno (Universidade Estadual de Ponta Grossa); Mestra de saberes tradicionais Diana Isis Bueno do Nascimento (UFPR); Dra. Rosa Elena Bueno (UFPR)

ST-J09 — Corpo-território e Educação Decolonial

Eixo(s): Eixo 8: Educação, Ensino e Pedagogias Decoloniais

Ementa: As relações entre educação e diferenças culturais têm se configurado como objeto de debates, reflexões e se multiplicam por toda a Améfrica Ladina (LÉLIA GOMZALES). Pensar uma educação decolonial a partir do Brasil nos remete a refletirmos sobre como o movimento negro brasileiro vem, há mais de trinta anos, empreitando uma luta de enfrentamento ao racismo na nossa sociedade, a ponto de intervir em políticas públicas e ações governamentais. No caso da educação podemos evidenciar as Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/2008, que estabelecem a obrigatoriedade da cultura afro-brasileira e africana e indígena, respectivamente, nos currículos escolares e na formação inicial de professores/as e as políticas de Ações Afirmativas por meio das cotas raciais e sociais nas Universidades Públicas. Situando-nos nessa perspectiva, o presente Simpósio Temático se constrói numa perspectiva teórica e metodológica alicerçada nos marcos civilizatórios dos grupos subalternizados, através dos saberes dos povos originários e dos povos africanos na diáspora. Portanto, educar para as relações étnico-raciais tem sido um desafio, sobretudo, quando colocamos a Branquitude como um dos elementos constituídos de identidade étnica e racial, como aponta Cida Bento em seus estudos sobre Branquitude no Brasil. Para tal, este Simpósio busca reunir pesquisadores e pesquisadoras que objetivam dialogar sobre a responsabilidade política e educacional das pessoas brancas e negras para combater o legado escravocrata que se desdobra no racimos estrutural e institucional. Para tal, o Simpósio não se restringe exclusivamente ao espaço escolar, mas pretende abarcar todas as territorialidades que a educação não escolar exista com o intuito de combater as opressões de raça, gênero, sexualidades e territórios. Sendo assim, elegemos a categoria/perspectiva teórica do Corpo-território (Muniz Sodré; Eduardo Miranda; Marta Alencar) como a base fundante deste coletivo para aglutinar produções escolares e não escolares pelos veios da abordagem Decolonial para uma prática antirracista.

Coordenação: Dr. Eduardo Oliveira Miranda (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA – UEFS); Mestrando DEMISON DOS SANTOS NASCIMENTO (UEFS); Ma. Joselice Souza Barbosa (UEFS); Ma. Amine Jesus Fernandes Meira (UEFS); Ma. PALOMA VIRGENS SANTIAGO (UEFS)

SALA K — Simpósio Temático Integrador do V SEMLACult 2026

ST-K01 — Simpósio Temático Integrador do V SEMLACult 2026

Ementa: Este Simpósio Temático Integrador destina-se à acolhida de propostas que, embora dialoguem com o tema geral do V SEMLACult 2026 – Epistemologias do Sul, Práticas Decoloniais e Diálogos Sul-Sul: Culturas e Territórios na América Latina Contemporânea, não se enquadrem de forma direta ou prioritária nas demais Salas Temáticas do evento.

A Sala K configura-se como um espaço transversal, aberto a abordagens interdisciplinares, experimentais, emergentes ou híbridas, contemplando investigações teóricas, metodológicas e empíricas que proponham articulações originais entre cultura, território, educação, linguagem, política, arte, ciência, tecnologia e sociedade na América Latina e no Sul Global.

Este ST tem como objetivo garantir a inclusão, a diversidade temática e a liberdade epistemológica, evitando exclusões por excesso de especialização das salas e assegurando que contribuições relevantes possam integrar a programação científica do evento.

Coordenação: Comissão Científica e Comissão Organizadora do V SEMLACult 2026