As atividades formativas do V SEMLACult incluem minicursos e oficinas teórico-práticas voltadas à experimentação metodológica, ao diálogo interdisciplinar e à partilha de saberes situados nas epistemologias do Sul.

As atividades possuem vagas limitadas e serão realizadas durante a programação presencial do evento.

Inscrições nas atividades. As inscrições serão realizadas exclusivamente via sistema do evento, a partir do dia 05/03/2026. Para se inscrever em minicursos e oficinas, é necessário estar previamente inscrito no SEMLACult 2026 como ouvinte ou comunicador. As vagas serão preenchidas conforme disponibilidade e ordem de inscrição no sistema.


Minicursos

MC-01 – Decolonizar a Pesquisa Social: Por Uma Proposta Metodológica Arqueológica

Carga Horária: 8 horas (2 sessões de 4h).

Vagas: 40.

Idioma: Bilíngue (Português e Espanhol).

Público-alvo: Graduandos e pós-graduandos interessados em pesquisa social.

Descrição: Considerando a urgência de superar lógicas coloniais presentes em epistemologias eurocêntricas que atravessam metodologias tradicionais de pesquisa, este minicurso parte do diagnóstico de que tais abordagens restringem a participação de sujeitos historicamente marginalizados. Como consequência, parte do conhecimento produzido tende a reproduzir desigualdades e a invisibilizar saberes subalternizados no Sul global.

O minicurso tem como objetivo apresentar princípios e práticas decoloniais da metodologia arqueológica (Sá, 2023; Sá e Ortiz Coronel, 2023), propondo um processo de elaboração e execução em sintonia com participantes de pesquisas, com estímulo à construção crítica, transcultural e coletiva do conhecimento (Marx, 1845). Com carga horária de oito horas, a atividade está organizada em quatro módulos teórico-práticos, orientados por epistemologias decoloniais, com diálogo com autores como Cusicanqui (2021), Dussel (1980), Mignolo (2006), Quijano (2014), Smith (2012), Walsh (2005; 2023), Sousa Santos (2021) e Freire (1979; 2021).

Ao longo do minicurso serão trabalhados conceitos-chave da plataforma decolonial, além de casos e experiências práticas de pesquisa, metodologias participativas e dinâmicas de construção metodológica voltadas à decolonização dos processos investigativos (Fals Borda, 1978; 2007). A proposta busca ampliar o repertório teórico e prático de metodologias decoloniais, compartilhar possibilidades para o desenvolvimento de propostas metodológicas contextualizadas e estimular pesquisas críticas e transformadoras, valorizando vozes frequentemente silenciadas no âmbito científico e contribuindo para justiça epistêmica.

Ministrantes: Rubens Lacerda de Sá e Derlis Ortiz Coronel.


MC-02 – Pedagogias Decoloniais na Prática: Literatura Latino-Americana para uma Educação Antirracista e Antissexista

Carga Horária: 8 horas (2 sessões de 4h).

Vagas: 30.

Idioma: Bilíngue (Português e Espanhol).

Público-alvo: Estudantes de licenciatura e professores da educação básica.

Descrição: O minicurso aborda fundamentos das pedagogias descoloniais e sua aplicação em práticas antirracistas e antissexistas na educação básica, utilizando a literatura latino-americana como eixo central de reflexão e de intervenção pedagógica. A partir de textos de autoras e autores latino-americanos, especialmente aqueles que abordam raça, gênero e colonialidade, as e os participantes serão convidados a analisar criticamente narrativas, problematizar desigualdades e construir propostas educativas transformadoras.

O objetivo é capacitar estudantes de licenciaturas e professoras e professores da educação básica para planejar e desenvolver práticas pedagógicas decoloniais, antirracistas e antissexistas, mediadas pela literatura latino-americana. A justificativa parte do entendimento de que estruturas coloniais, racistas e patriarcais seguem presentes na sociedade e na escola, tornando necessária uma formação docente que amplie repertórios críticos e culturais. Nesse sentido, a literatura latino-americana, com destaque para produções de mulheres, pessoas negras e povos originários, oferece narrativas que tensionam hegemonias e fortalecem identidades, funcionando como ferramenta pedagógica para uma educação mais justa, plural e emancipadora.

Conteúdos previstos: conceitos fundamentais das pedagogias descoloniais, educação antirracista e antissexista com foco em interseccionalidade e práticas escolares, literatura latino-americana como dispositivo crítico, leitura e análise de textos literários, metodologias de leitura crítica e criação de atividades, e oficina de elaboração de sequência didática decolonial. Metodologia baseada em aulas dialogadas, rodas de conversa, leitura e discussão de textos, análise crítica de narrativas, trabalho colaborativo e produção prática, com elaboração final de uma sequência didática aplicável em sala de aula.

Ministrante: Eliane da Silva.


MC-03 – Genealogia da Experiência e Epistemologias do Sul: mulheres, saberes situados e práticas decoloniais

Carga Horária: 6 horas (2 sessões de 3h).

Vagas: 40.

Idioma: Português.

Público-alvo: Estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadoras e pesquisadores, educadoras e educadores, e demais interessados.

Descrição: Este minicurso apresenta e discute a genealogia da experiência como abordagem de reflexão e produção de conhecimento em diálogo com epistemologias do Sul, saberes situados e práticas decoloniais. A proposta enfatiza a experiência como campo de elaboração teórica e prática, tomando trajetórias, memórias e marcas sociais como elementos centrais para compreender como se produzem sentidos, interpretações e formas de presença no mundo.

A atividade busca construir um percurso que relacione experiência, corpo, território e conhecimento, valorizando a dimensão situada do saber e a produção intelectual vinculada às condições concretas de vida. Ao articular mulheres, saberes e práticas decoloniais, o minicurso oferece um espaço de reflexão sobre processos de invisibilização, deslocamento e reconstrução de narrativas, além de possibilidades metodológicas para pesquisas e práticas formativas que reconheçam pluralidade, diferença e historicidade.

Ministrantes: Jeane Adre Rinque e Ticiane Caldas de Abreu.


MC-04 – Processo criativo e fabulação crítica de arquivos literários de escritores negros

Carga Horária: 8 horas (2 sessões de 4h).

Vagas: 40.

Idioma: Bilíngue (Português e Espanhol).

Público-alvo: Estudantes de graduação em Ciências Humanas, professoras e professores, pesquisadoras e pesquisadores, e público interessado em literatura, memória e arquivos.

Descrição: O minicurso propõe discutir processos criativos e a fabulação crítica a partir de arquivos literários de escritores negros, articulando debates sobre memória, circulação de narrativas e disputas em torno de acervos, documentação e cânone. A proposta enfatiza o arquivo não apenas como repositório, mas como campo de construção de sentidos, de preservação, de apagamentos e de reinvenções.

A atividade busca explorar como manuscritos, documentos, fragmentos e registros permitem reconstruir percursos criativos e tensionar leituras consagradas, abrindo espaço para interpretações que considerem silenciamentos históricos e regimes de visibilidade. A partir da fabulação crítica, serão trabalhadas possibilidades de leitura e análise que combinem rigor, imaginação interpretativa e compromisso com a reconfiguração de narrativas, especialmente em relação à produção intelectual negra.

Ministrante: Raffaella Fernandez.


MC-05 – Quando os Leões (Re)Inventam as Suas Próprias Histórias, O Cais do Valongo e Conservação e Restauração do Patrimônio Cultural Negro Brasileiro

Carga Horária: 8 horas (2 sessões de 4h).

Vagas: 40.

Idioma: Português.

Público-alvo: O curso é aberto a interessados no campo do patrimônio cultural, artes, história, museologia, conservação e restauração, e também ao público em geral interessado em memória e cultura afro-brasileira.

Descrição: O minicurso aborda o Cais do Valongo como referência para discutir conservação e restauração do patrimônio cultural negro brasileiro, relacionando materialidade, memória e disputas sobre narrativas históricas. O Cais do Valongo é um marco de grande densidade simbólica e histórica, associado ao tráfico atlântico e à experiência da diáspora africana no Brasil, oferecendo um ponto de partida para refletir sobre reconhecimento, preservação, políticas de patrimônio e justiça histórica.

A proposta busca discutir como processos de conservação e restauração dialogam com dimensões sociais e culturais do patrimônio, sobretudo quando se trata de espaços atravessados por violência histórica, apagamentos e reinterpretações em disputa. Também serão problematizadas formas de produção de memória pública, as tensões entre narrativas oficiais e reivindicações sociais, e as possibilidades de reconfigurar práticas patrimoniais a partir do protagonismo de sujeitos e coletividades historicamente silenciados.

Ministrantes: Aline Barbosa Santiago, Júlio César Medeiros e Neuvânia Curty Ghetti.


MC-06 – Tempo Vivo na Prática: multitemporalidades para (re)imaginar a aprendizagem e o agora

Carga Horária: 8 horas (2 sessões de 4h).

Vagas: 40.

Idioma: Português.

Público-alvo: Educadoras e educadores, estudantes, pesquisadoras e pesquisadores, e pessoas interessadas em educação, cultura, temporalidades e práticas formativas.

Descrição: O minicurso propõe trabalhar a noção de tempo vivo e a ideia de multitemporalidades como chave para refletir sobre aprendizagem, experiência e presença no agora. A proposta parte da compreensão de que os modos contemporâneos de vida, trabalho, estudo e circulação de informação reorganizam percepções de tempo, ritmo e atenção, gerando impactos diretos em processos educativos e formativos.

A atividade convida participantes a pensar além de cronologias lineares e modelos rígidos, explorando temporalidades que articulam memória, duração, interrupções, retomadas e criação coletiva. Entre reflexão e prática, o minicurso busca abrir espaço para experimentar estratégias e exercícios que permitam reimaginar a aprendizagem em diálogo com o presente, com a sensibilidade do cotidiano e com a construção compartilhada de sentidos.

Ministrante: Felipi Marques da Rocha Pinto.


Oficinas

OF-01 – Cuidar e Parir na América Latina: Educação Perinatal Decolonial

Carga Horária: 4 horas.

Vagas: 30.

Idioma: Bilíngue (Português e Espanhol).

Público-alvo: Estudantes e pesquisadores das áreas de saúde, educação, ciências humanas e sociais, profissionais da saúde, doulas, gestantes e demais interessados.

Descrição: A oficina propõe uma vivência e um debate sobre cuidado, gestação e parto na América Latina a partir de uma perspectiva decolonial de educação perinatal. A proposta parte do reconhecimento de que práticas de cuidado e saúde reprodutiva são atravessadas por desigualdades históricas e contemporâneas, envolvendo relações de poder, raça, classe, gênero e território.

A atividade aborda temas como medicalização, formas de violência e deslegitimação de saberes tradicionais, além de discutir possibilidades de cuidado mais contextualizadas, interculturais e centradas em direitos. O encontro combina exposição, roda de conversa e atividades participativas, buscando articular repertórios teóricos e experiências concretas para fortalecer práticas de cuidado e educação perinatal comprometidas com dignidade, autonomia e justiça.

Ministrante: Luana de Paula Santos.


OF-02 – Cerâmica, Memória e Práticas Decoloniais na América Latina

Carga Horária: 4 horas.

Vagas: Mínimo 5 e Máximo 15.

Idioma: Português.

Público-alvo: Pessoas de todas as idades, com ou sem formação artística, interessadas em práticas manuais, cultura e memória.

Descrição: A oficina propõe uma vivência prática e reflexiva a partir da cerâmica como linguagem ancestral e prática cultural ligada a memória, território e modos de vida latino-americanos. O trabalho com o barro é tratado como experiência artística e também como gesto de reconhecimento de saberes tradicionais, conectando fazer manual, narrativas e pertencimentos.

A atividade inclui experimentação de técnicas básicas de modelagem e produção de peças, articulando o processo criativo a conversas sobre cultura, artesanato, transmissão de saberes e significados do fazer cerâmico em diferentes contextos. A oficina convida participantes a explorar o barro como matéria de expressão e como meio para refletir sobre permanências, deslocamentos e reinvenções culturais.

Ministrante: Leticia Mello de Souza Nascimento.


OF-03 – Respirar coletivo: Sikus, cosmovisão andina e epistemologias do Sul

Carga Horária: 3 horas.

Vagas: 20.

Idioma: Bilíngue (Português e Espanhol).

Público-alvo: A oficina é aberta a pessoas de diferentes áreas e níveis de formação, não é necessário ter experiência musical prévia.

Descrição: A oficina apresenta uma experiência musical coletiva a partir do sikus, instrumento tradicional associado a práticas comunitárias andinas. A proposta explora a dimensão relacional do fazer musical, com ênfase na respiração coletiva e na complementaridade de vozes e partes musicais, elementos que exigem escuta, presença e interdependência.

Além da prática musical, a oficina dialoga com a cosmovisão andina e com epistemologias do Sul, propondo reflexões sobre formas comunitárias de produzir conhecimento, organizar o sensível e sustentar vínculos. A atividade combina experimentação sonora, exercícios de ritmo e dinâmica coletiva, criando um espaço de convivência em que música e pensamento se articulam como experiência compartilhada.

Ministrante: Felix Ceneviva Eid.


OF-04 – Oficina de Teatro: Cenas de Axé

Carga Horária: 4 horas.

Vagas: 30.

Idioma: Português.

Público-alvo: Público geral.

Descrição: A oficina propõe uma experiência de criação teatral inspirada em referências culturais afro-brasileiras, com jogos, improvisações e exercícios corporais e vocais voltados à construção de cenas e à exploração de presença, ritmo e expressão. A proposta dialoga com elementos simbólicos, cantigas e imaginários que atravessam tradições afro-brasileiras, valorizando memória, ancestralidade e circularidade.

As atividades estimulam o corpo como campo de linguagem e construção coletiva de narrativa, favorecendo experimentação artística em um ambiente de escuta e colaboração. A oficina acolhe participantes com diferentes repertórios, com foco na vivência prática e na criação em grupo.

Ministrante: Joane Macieira dos Santos.


OF-05 – Claro demais para ser preto, escuro demais para ser branco, Letramento racial, escrita de si e educação antirracista para pessoas pardas

Carga Horária: 4 horas.

Vagas: 25.

Idioma: Português.

Público-alvo: Educadoras e educadores da educação básica e superior, estudantes de licenciatura e demais pessoas interessadas em relações raciais e educação antirracista.

Descrição: A oficina propõe um percurso de reflexão crítica e vivencial sobre letramento racial de pessoas pardas no Brasil, articulando debate, escrita de si e práticas educativas antirracistas. A proposta discute como classificações raciais, processos históricos de embranquecimento e hierarquias sociais impactam identidades, pertencimentos e experiências escolares, gerando ambiguidades e silenciamentos específicos para pessoas pardas.

A atividade combina discussão conceitual e exercícios de escrita autobiográfica como prática de elaboração e reconhecimento, relacionando vivências individuais a processos históricos e políticos mais amplos. A oficina busca oferecer subsídios para práticas educativas antirracistas, ampliando vocabulário crítico e estratégias pedagógicas que considerem complexidades do debate racial no cotidiano escolar e formativo.

Ministrante: Daniela Torres.